Informações gerais sobre alergias. Este site não tem o objetivo de prestar consultas pela internet. Para tirar dúvidas, procure também www.asbairj.org.br e www.blogdaalergia.com

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INFLUENZA A – O QUE VOCÊ PRECISA SABER

A Influenza A é uma doença respiratória causada pelo vírus tipo A que sofreu mutações (H1N1) que permitiram a infecção em humanos, anteriormente não identificada. Este novo subtipo do vírus da Influenza suína tipo A é transmitido de pessoa a pessoa principalmente por meio de tosse, espirros, e secreções respiratórias de pessoas infectadas. O período de incubação é de 3 a 7 dias, e a transmissão ocorre principalmente em locais fechados. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) não há registro de transmissão deste novo subtipo da Influenza suína para pessoas por meio da ingestão de carne de porco e produtos derivados. 

            Nos últimos dias foi detectada a circulação do novo subtipo do vírus da Influenza A (H1N1) no Brasil, incluindo o Rio de Janeiro. Com a confirmação da transmissão do vírus na cidade do Rio de Janeiro e a proximidade do inverno, aumenta o risco de sua propagação.

A OMS atualizou os critérios de definição de caso suspeito da doença, que são: febre repentina (maior que 38 graus)  e  tosse, podendo estar acompanhadas de alguns dos seguintes sintomas: Dor de cabeça, Dores musculares, Dores nas articulações, Dificuldade respiratória, além de o paciente ter como procedência o México ou outras áreas atingidas pelo vírus nos últimos dez dias (Estados Unidos, Canadá, Colômbia e alguns países da Europa e Ásia). O contato com casos confirmados da doença no Brasil também deve ser levado em conta, visto que já ocorreu a transmissão da infecção em território brasileiro.

Recomendações, com base nas informações oficiais da OMS e dos Governos  das  áreas  afetadas:

·         Usar máscaras cirúrgicas descartáveis, durante toda a permanência nas  áreas afetadas e substituí-las sempre que necessário;

·         Ao tossir ou espirrar cobrir o nariz e a boca com lenço, preferencialmente descartável;

·         Evitar locais com aglomeração de pessoas;

·         Evitar o contato direto com pessoas doentes;

·         Não compartilhar alimentos, copos, toalhas, e objetos de uso pessoal;

·         Evitar tocar olhos, nariz, ou boca;

·         Lavar as mãos frequentemente com sabão e água, especialmente depois  de  tossir ou espirrar;

·         Não usar medicamentos sem orientação médica;

·         Em caso de adoecimento, procurar assistência médica e informar história  de contato com doentes e roteiros de viagens recentes a esses países.

        No Estado do Rio de Janeiro as referências para atendimentos de pessoas  infectadas  são:  HOSPITAL DO FUNDÃO-HUCFF  tel: 2299 8249  e  INSTITUTO  EVANDRO  CHAGAS – FIOCRUZ (Manguinhos) –  tel:9967 1880   e  3865 9544. . Mais informações em http://www.riocontragripea.rj.gov.br/conteudo/index.asp 

 

PLANO DE AÇÃO – O QUE FAZER NA “CRISE DE ALERGIA”

Há anos todos os documentos médicos nacionais e internacionais que definem normas para uniformizar a conduta de tratamento da asma (chamados de "Consensos ou Diretrizes") recomendam que os pacientes com asma brônquica saibam como proceder em casos de crises, através de um plano de ação. Essa conduta permite que o próprio paciente, ou seu responsável, no caso das crianças, saiba identificar o início da crise e iniciar o tratamento de forma adequada, antes mesmo de contactar seu médico ou recorrer ao pronto-socorro.
 
Sendo assim, nas crises de asma, que podem se manifestar com tosse seca persistente e/ou falta de ar e/ou chiado no peito (notem que qualquer um desses sintomas, isolados ou associados podem ser uma crise), deve-se iniciar a medicação de alívio, cuja primeira escolha é sempre o broncodilatador por via inalatória (em spray ou nebulização), acompanhado ou não de outros medicamentos, dependendo da gravidade dos sintomas.
 
Outra condição em que o paciente deve estar sempre preparado para agir com rapidez é a anafilaxia – a reação alérgica aguda, generalizada e grave, que pode ser até fatal, se não tratada de forma rápida e adequada. As pessoas que já tiveram essa reação anafilática (que se caracteriza pela associação de urticária generalizada, inchação de pálpebras, lábios ou toda a face, falta de ar com chiado semelhante a crise de asma, e até inchação/edema de laringe – também chamado "edema de glote"), secundária a picada de inseto, ingestão de algum alimento ou medicamento, ou durante exercício físico, ou mesmo sem causa identificada, devem carregar consigo uma dose de adrenalina para auto-aplicação.
 
Da mesma forma, outras doenças alérgicas menos graves, como a rinite/rinoconjuntivite alérgica e a urticária recorrente, que podem apresentar-se em crises, também devem ser tratadas inicialmente ainda em casa, com um medicamento anti-alérgico de uso oral (em comprimido ou xarope), de acordo com a prescrição médica.
 
Converse com seu médico e tenha sempre um "plano de ação" para iniciar o tratamento das crises de alergia, mas não deixe de fazer o tratamento de controle e evitar os agentes desencadeantes de crises, para prevení-las ou, no mínimo, reduzir a sua frequência e intensidade.
 
   
   Rinite                 Rinoconjuntivite                Urticária          
 
           
   Spray com espaçador       Adrenalina auto-injetável

ALERGIA DE CONTATO (DERMATITE DE CONTATO)

 
Muitas pessoas sofrem com lesões avermelhadas e muita coceira, e que evoluem na fase inicial com pequenas vesículas que se rompem, e na fase mais crônica com descamação e "engrossamento" da pele. Quando as lesões ocorrem sempre nas mesmas localizações, isso pode ser a dermatite ou eczema de contato. Esta é uma forma de alergia causada por subtâncias que entram repetidamente em contato com a pele, e acabam penetrando nela e desencadeando uma reação inflamatória alérgica que evolui caracteristicamente em dias a semanas, podendo se cronificar enquanto a substância causadora (contactante) estiver presente.
 
Importante ressaltar que na maioria das vezes, mas nem sempre, a localização das lesões é óbvia e já faz suspeitar qual é o agente contactante causal. Desta forma, lesões recorrentes no punho geralmente são causadas por metais, borrachas ou couros de pulseiras de relógio ou de enfeites pessoais. Da mesma forma, a alergia a metais geralmente se manifestará também em outras áreas de contato com bijuterias (orelhas, pescoço) e com botões de metal de calças (região abaixo do umbigo). As lesões dos dedos e palmas das mãos podem ter relação com detergentes usados para lavar louças, ou outros produtos ocupacionais, como o cimento. Lesões dos pés, com o formato de calçados ou sandálias podem estar relacionadas ao couro ou a borracha desses utensílios, lesões em pescoço e punhos podem ter relação com perfumes, alergia de contato nas axilas geralmente é causada por componentes da fórmula de desodorantes, e lesões em áreas expostas ao sol podem ter relação com cremes, protetores solares e outros cosméticos, muitas vezes só "ativados" a tornaram-se causadores de alergia pela ação da luz solar.
 
Por outro lado, as lesões nas pálpebras, pescoço e "maças do rosto" podem ter relação com o esmalte de unha, pelo hábito de passarmos frequentemente as mãos nessas regiões. Alergias a tintas de tecidos de roupas podem ocorrer em áreas esparsas de todo o corpo, e eventualmente, até substâncias ingeridas como aditivos em alimentos e medicamentos podem induzir lesões na pele deste mesmo tipo, mesmo sem o contato direto.
 
Quando o quadro é típico, o diagnóstico do agente causal geralmente é fácil para o médico experiente nesta área. Mas nas outras situações, o diagnóstico pode ser mais complicado. Por isso, deve-se recorrer ao especialista em alergia-imunologia, que poderá, pela história clínica, correlacionar a localização e o tipo de lesão com possíveis agentes causais, além de realizar o chamado "teste de contato", no qual diversas substâncias são colocadas no dorso por alguns dias, e depois é feita a avaliação do local, para se identificar a(s) substância(s) envolvida(s) no desencadeamento da alergia. Esse teste é importante mesmo quando o quadro clínico aponta com facilidade o agente causal, pois com ele é possível identificar o produto químico específico envolvido no quadro. Com isso, é possível procurar substitutos (esmaltes e cosméticos, p.ex.) sem a substância específica que causou o problema.
 
 
      Tatuagem            Desodorante              Brinco                        
 
 
            Boné                             Fivela do cinto
 
                  Cimento                           Sandália de borracha


                                         Teste de contato

ALERGIA A PICADA DE INSETOS

 
A alergia é a reação exagerada do sistema imunológico contra substâncias que, teoricamente, não constituem uma ameaça ao organismo. Esta definição se adequa bem a alergia respiratória, onde os alergenos (as substancias que desencadeiam a reação) são constituintes inócuos da poeira ou de pólens de plantas. Na alergia a picada de insetos, da mesma forma, ocorrem reações exageradas a substancias presentes na saliva ou no veneno de insetos, mas da mesma forma a reação do sistema imunológico, por ser exagerada e não controlada, não protege o organismo dos efeitos das substâncias em questão, e acaba causando problema maior que a própria substância inoculada pelo inseto, podendo levar a consequências até graves, como a anafilaxia (a forma mais grave de reação alérgica generalizada, ou sistêmica).
 
A alergia relacionada a picada de insetos pode se manifestar na forma de reação localizada ou até generalizada ao veneno de insetos picadores como a abelha, vespa, marimbondo, e também após picada de formigas, ou como a alergia a picada de insetos sugadores, principalmente os mosquitos, conhecida como prurigo estrófulo ou, simplesmente, estrófulo.
 
O estrofulo é a forma mais comum de alergia a picada de insetos nas grandes cidades, seguida das reações a picadas de formigas e das reações as picadas de abelhas, marimbondos e vespas (estas mais frequentes em cidades menores e no interior). As crianças são particularmente vulneráveis, por estarem mais tempo expostas ao contato com estes insetos nos parques, play-groundse em outras áreas de lazer, até mesmo na creche ou na escola. Outro grupo de importância são os trabalhadores rurais, e principalmente os apicultores, pelo contato direto e diário com abelhas.
 
O estrofulo geralmente se inicia durante o primeiro ano de vida, com lesões após picada de mosquito que evoluem com pequenos caroços, podendo haver bolhas pequenas que se rompem, e tendem a formar uma ferida (figura 1). A lesão é rodeada por um halo de vermelhidão, e é muito pruriginosa (coça muito). Frequentemente, por causa da coceira, a ferida pode aumentar e até infectar, evoluindo com secreção amarelada e posteriormente com uma cicatriz duradoura. Este é um problema particularmente preocupante nas pessoas de pele mais escura em geral, e nas meninas, que poderão ficar com cicatrizes para o resto da vida (figura 2). Eventualmente, também surgem lesões chamadas “satélite”, ou seja, ao redor de uma única picada do mosquito, podem surgir outras lesões sem necessidade de várias picadas. As áreas mais acometidas são as áreas naturalmente mais expostas aos mosquitos: a face, os braços e pernas.
 
Uma parcela das crianças pequenas evoluem naturalmente para a redução das reações e a cura em meses, como se fossem naturalmente dessensibilizadas pelas repetidas picadas de mosquito. Muitas outras crianças permanecem tendo estas reações, e aí o problema passa a ser grande, pelos já descritos riscos de infecção secundária das lesões, e pela produção de cicatrizes em braços e pernas, com prejuízo estético e da qualidade de vida. Nestes casos, a imunoterapia (vacinas específicas para reduzir a intensidade das reações alérgicas) é altamente eficaz, induzindo aquela dessensibilização que não ocorreu naturalmente nos primeiros meses após o início do quadro.
 
Já as reações a picadas de formiga, abelhas e marimbondos/vespas (figura 5) evoluem de forma variada, podendo ser apenas uma reação local, com inchação, dor, vermelhidão e coceira, evoluindo sem deixar feridas e cicatrizes, até reações com placas vermelhas com coceira (a urticária – figura 3) a distância e até generalizada (em todo corpo). O extremo de gravidade e de intendsidade dessa reação generalizada é a chamada anafilaxia, onde ocorre, além do surgimento de urticária em várias áreas da pele, alterações de outros órgãos/sistemas, como queda da pressão arterial pelo acometimento cardiovascular, falta de ar, seja pelo acometimento dos brônquios (como numa crise de asma), seja pela inchação da laringe com obstrução da entrada do ar (o chamado “edema de glote”), e até dor na barriga e diarréia, por alterações do trato digestivo. Estas reações, mesmo as localizadas, podem evoluir para reações generalizadas, e as reações subsequentes, após novas picadas, tendem a ser mais graves que as anteriores. Por isso, em geral, as pessoas que têm alergia a insetos deste tipo necessitam fazer o uso da imunoterapia, que é a única forma de reduzir a intensidade da reação do sistema imunológico quando entra em contato com as substâncias presentes no veneno destes insetos. A imunoterapia literalmente salva vidas nos casos de reações graves a picada destes insetos. As pessoas que já tiveram reações generalizadas/graves, e continuam expostas ao risco de novas reações, devem ter um cartão de identificação com estas informações, e carregar consigo medicação (adrenalina) para auto-aplicação em casos de emergência (figura 4).
 
Para qualquer um dos tipos de alergia a insetos (mosquito-estrófulo ou abelhas/marimbondos/formigas-urticaria/anafilaxia), sempre são necessários cuidados de proteção, como evitar os locais onde sabidamente existem estes insetos, usar roupas compridas e sem cores fortes (que atraem abelhas), evitar perfumes fortes e adoçicados (pelo mesmo motivo), e uso de telas de proteção nas janelas, cortinados em berços e camas, e repelentes para uso em ambientes e/ou na pele, de acordo com a faixa etária.
 
Se você tem reações duradouras a picada de mosquitos, ou já teve reações locais ou generalizadas a picadas de abelha/marimbondo/formiga, consulte um especialista em alergia e imunologia para avaliar adequadamente seu caso, receber orientações de proteção e sobre a necessidade de tratamento.
 
           Estrófulo – lesão aguda                                  Estrófulo – cicatrizes
 
                                                                  Urticária                Adrenalina auto-injetável
 
 
 
 
 

DERMATITE ATÓPICA OU ECZEMA ATÓPICO – DICAS IMPORTANTES

 

A dermatite atópica é uma afecção alérgica crônica da pele, mais comum em crianças, e que faz parte da chamada tríade atópica: o grupo de doenças alérgicas que têm um caráter hereditário e comumente ocorrem em associação no mesmo indivíduo, seja ao mesmo tempo, seja em épocas diferentes da vida. São elas a dermatite atópica, a asma brônquica e a rinite alérgica.

 

A dermatite atópica se manifesta característicamente por lesões inflamatórias crônicas e/ou recorrentes da pele, o chamado eczema, geralmente limitadas a áreas típicas desta doença, dependendo da idade do paciente. Por exemplo, no lactente é mais comum o aparecimento das lesões na face (bochechas), pescoço e, eventualmente, no couro cabeludo, dorso e membros (braços e pernas). Já em crianças maiores, adolescentes e adultos, as lesões tendem a se concentrar nas dobras dos cotovelos e dos joelhos, podendo também aparecer em outras regiões, como o pescoço. Além disso, o padrão regional de acometimento pode variar entre os dois extremos, ou seja, os casos graves, com lesões praticamente disseminadas, e os casos mais leves, com lesões localizadas e brandas.

 

Assim como nas outras doenças atópicas respiratórias (rinite e asma), na dermatite atópica também há um processo inflamatório crônico da pele, associado a hiperssensibilidade (alergia), que pode estar relacionada a várias substâncias (antígenos) do meio ambiente e de alimentos, por exemplo. Caracteristicamente, esse processo inflamatório da pele na dermatite atópica pode ser exacerbado por vários fatores, como os próprios antígenos (p.ex. ingestão de alimento alergênico ou contato direto com substâncias de ácaros na cama), por fatores irritantes inespecíficos (perfumes, esfoliantes, calor), pelo estresse emocional e pelo próprio trauma (atrito de roupas apertadas ou do próprio ato de coçar).

 

Além disso, a chamada “pele atópica” também tem características próprias que a tornam diferente da pele de pessoas sem alergia, como a redução de componentes normais da matriz extracelular (as várias proteínas e outras substâncias que constituem a arquitetura de sustentação da pele) e a menor produção de gorduras naturais, que hidratam e protegem a pele do meio externo. Por isso a pele do paciente atópico (tenha ele eczema e/ou alergia respiratória) geralmente é mais seca, áspera e tende a coçar mais que a pele de pessoas normais. E ainda, pode ser mais suscetível a infecção por bactérias e fungos que a pele normal.

 

Por tudo isso, além de medidas para evitar o contato (por ingestão ou direto na pele) com as substâncias que causam a reação alérgica e do uso de medicamentos adequados (e isso só pode ser avaliado individualmente pelo médico alergista), é importante manter cuidados especiais, aumentando sua hidratação e evitando as agressões inespecíficas (químicas e físicas), pois todas elas servem como “gatilhos” para aumentar a inflamação, criando um círculo viçioso, onde mais inflamação leva à mais coçeira, e o trauma da coçadura leva à mais inflamação da pele.

 

Algumas dicas importantes para todas as idades:

- evitar roupas apertadas e de tecidos sintéticos – quanto menos roupa melhor;

- evitar sabonetes esfoliantes – preferir sempre sabonetes hidratantes;

- evitar o banho quente, o excesso de banhos e a permanência por muito tempo

  em ambientes quentes – preferir banho morno a frio (um a dois por dia, no máximo)

  e ambientes refrigerados;

- evitar talcos e perfumes com fragrâncias muito ativas;

- manter toda a pele sempre bem hidratada, através do uso de creme

  ou gel adequado a cada caso;

- usar medicamentos de forma criteriosa, sempre sob orientação do especialista.

  Medicamentos tópicos adequados, porém usados de forma incorreta

  ou em áreas extensas podem causar efeitos adversos sistêmicos

  (no resto do organismo) e, por outro lado, medicamentos inadequados podem

  piorar a inflamação da pele, e mesmo induzir novas sensibilizações (alergias).

 

 

                                    Dermatite atópica no lactente

 

                                                Dermatite atópca no adulto

REAÇÕES ADVERSAS E ALERGIA A MEDICAMENTOS COMUNS

 

REAÇÕES ADVERSAS E ALERGIA AO ÁCIDO ACETIL-SALICÍLICO (AAS),

ANTI-INFLAMATÓRIOS (AINEs), DIPIRONA E ANTIBIÓTICOS

Co-autoria: Dra. Raquel G. Rocha 

(Médica bolsista do Setor de Alergia e Imunologia do HU Pedro Ernesto/UERJ) 

 

Esse é um tema importante, comum no dia-a-dia, porém difícil, pois nem toda reação a um medicamento é uma alergia verdadeira, mesmo quando as manifestações (sinais e sintomas) são idênticas as reações alérgicas, e não há testes alérgicos específicos na maioria dos casos.

 

§    Reações alérgicas (verdadeiras) não dependem da dose e são específicas para uma determinada substância. Dependem de um mecanismo imunológico, ou seja, dependem da produção de anticorpos ou da proliferação de células específicas para reagir contra a substância em questão. Estas podem, eventualmente, ser confirmadas ou afastadas através de testes alérgicos na pele.

§       Reações pseudo-alérgicas dependem da dosagem usada e podem ocorrer para substancias diferentes, que tenham a mesma ação terapêutica. Seus sinais e sintomas são praticamente os mesmos das reações alérgicas, mas não há um mecanismo imunológico envolvido (anticorpos ou células do sistema imune). Muitas vezes dependem de sensibilidade individual decorrente de diferentes formas de metabolização (transformação e degradação) do medicamento no organismo. Para essas reações, que são as mais comuns, não há testes na pele úteis para o diagnóstico.

 

§       As principais manifestações possíveis das reações alérgicas e pseudo-alérgicas são: prurido (coçeira), urticária (placas vermelhas, elevadas e pruriginosas), angioedema (inchação aguda de causa alérgica ou pseudo-alérgica), reações gastro-intestinais (dor na barriga, diarréia), rinoconjuntivite  (espirros, coçeira no nariz e olhos, olho vermelho, lacrimejamento), asma (broncoespasmo/falta de ar/tosse/chiado), e até reações sistêmicas graves como anafilaxia (quando ocorrem várias destas manifestações juntas), podendo chegar até ao choque e/ou edema de glote)

 

1-   AAS/ Anti-inflamatórios não esteroidais (AINES)

§       AAS – ação analgésica e anti-pirética – exemplos: Aspirina, Melhoral, Sonrisal, aparece também associado em medicamentos anti-gripais, etc. 

AINES – ação analgésica, anti-inflamatória e anti-pirética – exemplos: Diclofenaco/ Voltaren, Naproxeno/Naprosyn, Piroxicam/Feldene, outros

§       Quem já teve reação ao AAS, a princípio, não deve usar outro anti-inflamatório, pois os mecanismos destas reações (pseudo-alérgicas) são os mesmos para drogas diferentes.

 

2-   DIPIRONA

§       Uma das drogas mais consumidas para dor e febre – exemplos: Novalgina, Baralgin, também aparece associada a outras substancias em medicamentos para resfriados e relaxantes musculares.

§       Tem mecanismo de ação parcialmente similar ao AAS/AINEs, e por isso também pode causar reação em pessoas com histórico de reação prévia ao AAS/AINEs.

 

3-   PARACETAMOL

§       É outro medicamento comumente usado para dor e febre. Tem ação em parte semelhante aos anteriores, e por isso também pode causar reação nas doses maiores, porém com frequência muito inferior em relação ao AAS/AINEs e a Dipirona. Exemplos: Tylenol, Tylephen, Dôrico, e outros. Nos casos de reações ao AAS, AINEs e dipirona, o paracetamol poderá ser usado SOB ORIENTAÇÃO MÉDICA.

  

4-   ANTI-INFLAMATÓRIOS "SELETIVOS " (são os mais recentes ou modernos)

§       Exemplos: Arcoxia, Celebra

§       São uma alternativa aos AINES em casos de reações prévias – têm menor risco de causarem reações, mas também podem causá-las, e por isso só devem ser usados como última opção e não devem ser usados sem rígida orientação médica.

 

5-   ANTIBIÓTICOS

São medicamentos usados para combater infecções (geralmente bacterianas – sinusite, infecção urinária, otite, amigdalite, pneumonia, etc.). Não têm efeito analgésico ou anti-febril => não têm o mesmo mecanismo de ação que eles, e por isso não têm relação com as reações adversas causadas pelos anti-inflamatórios citados anteriormente.

 

Beta lactâmicos (penicilinas)

Exemplos – Ampicilina, Amoxicilina, Amoxil, Benzetacil, Clavulin, Sigma-clav, etc.

§       Podem causar reações mesmo em doses mínimas (principalmente perenteral – via venosa ou intra-muscular), pois essas reações geralmente são alérgicas verdadeiras. A aplicação na pele também pode causar alergia por contato, chamada dermatite de contato.

§       Reações podem ser imediatas (na primeira hora), aceleradas (1-72 horas)  ou  tardias (começam após 3 dias)

§      A melhor conduta quando há um histórico prévio de reação, é  substituir as penicilinas por antobióticos de outras classes, com estrutura química diferente.

§       Quando não é possível a substituição, o que é raro, pode-se fazer a dessensibilização (procedimento no qual se administra doses crescentes do medicamento em curto espaço de tempo) para reduzir o risco de reações graves (só pode ser feito com consentimento escrito do paciente e no hospital, devido ao risco de reações – nunca tente fazer algo do gênero por conta própria).

 

Cefalosporinas - exemplos: Keflex, Keflin, Cefaclor/Ceclor, Cefuroxime/Zinnat, etc.

§       Podem dar “reação cruzada” com as penicilinas (por terem estrutura química semelhante, podem induzir uma reação alérgica verdadeira).

§       Por isso não são uma boa opção para substituir as penicilinas

 

Sulfas

§       Exemplo: Bactrim, Sulfadiazina

§      Quem tem histórico de reações, deve evitar substâncias quimicamente relacionadas (também podem dar a reação cruzada, mesmo não sendo antibióticos): alguns diuréticos (medicamentos que aumentam a produção de urina) e outras drogas usadas em hipertensão arterial e doenças cardíacas), alguns hipoglicemiantes orais (usados em Diabetes) e alguns anestésicos.

 

IMPORTANTE

- A maioria das reações adversas aos medicamentos não são alérgicas ou pseudo-alérgicas (p.ex. náusea, tontura, dor de cabeça, diarréia, outras). São apenas reações adversas ou efeitos colaterais, que podem ser avaliados pelo médico que prescreveu a medicação em questão.

- Nem todas as reações que parecem alergia são alérgicas de verdade (exemplo é o grupo chamado pseudo-alérgico), e por isso não existe testes para muitos dos casos.

- Os testes alérgicos só são úteis para alguns casos como na alergia às penicilinas e anestésicos locais, mas nem sempre eles são necessários.

- Quem já teve uma reação (alérgica ou pseudo-alérgica) deve procurar o médico especialista em alergia (alergista), para ser orientado em relação aos medicamentos a serem evitados, e deve ter um cartão ou folha impressa com estas orientações junto aos seus documentos, para casos de atendimento em acidentes ou outras situações em que possa estar inconsciente ou impossibilitado de dar estas informações.

RESFRIADOS, GRIPE E SINUSITE INFECCIOSA – UMA EVOLUÇÃO FREQUENTE E MAIS GRAVE EM ALÉRGICOS

RESFRIADOS, GRIPES E SINUSITES INFECCIOSAS
AFECÇÕES COMUNS NO INVERNO
 
 O INVERNO, APARENTEMENTE NÃO MUITO INTENSO, CHEGOU. NESSA ÉPOCA DO ANO É COMUM A OCORRÊNCIA DE RESFRIADOS (RINITE VIRAL) E GRIPE (INFLUENZA) QUE, FREQUENTEMENTE, PODEM COMPLICAR EVOLUINDO PARA SINUSITE (INFLAMAÇÃO DOS SEIOS DA FACE) DE CAUSA INFECCIOSA.
ISSO ACONTECE PORQUE A MUCOSA, O TECIDO QUE REVESTE AS CAVIDADES NASAIS, É O MESMO E SE CONTINUA COM A MUCOSA DOS SEIOS PARA-NASAIS, SITUADOS AO REDOR DAS FOSSAS NASAIS, DENTRO DOS OSSOS DA FACE E DO CRÂNIO.
 
MUITAS DAS SINUSITES SÃO DE CAUSA VIRAL, ASSIM COMO OS RESFRIADOS E GRIPES, E POR ISSO NÃO REQUEREM O USO DE ANTIBIÓTICOS. NESSES CASOS OS SINTOMAS SÃO MENOS INTENSOS E DURADOUROS QUE NA SINUSITE COM INFECÇÃO BACTERIANA.
NESTA ÚLTIMA, A DOR FACIAL (ACIMA, AO REDOR DOS OLHOS E/OU NAS MAÇÃS DO ROSTO) É MAIS INTENSA, COM SENSAÇÃO DE PESO OU PRESSÃO NESSAS REGIÕES, E PODE HAVER FEBRE (NÃO MUITO ALTA, GERALMENTE EM TORNO DE 38 – 38,5 GRAUS), ALÉM DE TOSSE QUE PIORA AO DEITAR E MUITA SECREÇÃO NASAL AMARELA OU ESVERDEADA E ESPESSA. NESSES CASOS, É INDISPENSÁVEL A AVALIAÇÃO MÉDICA, POIS GERALMENTE É NECESSÁRIO O USO DE ANTIBIÓTICO ADEQUADO E POR TEMPO SUFICIENTE PARA RESOLVER A INFECÇÃO.
 
COMO DIFERENCIAR A RINITE ALÉRGICA DA RINITE VIRAL?

 

RINITE ALÉRGICA

RESFRIADO / GRIPE

Sintomas

Coriza aquosa/transparente, espirros, coçeira e obstrução nasal, pode haver coçeira ocular e lacrimejamento

Semelhante a rinite alérgica, mas pode haver mal-estar, dores musculares e febre

Início/evolução

Imediatamente após a exposição aos agentes desencadeantes (poeira, animais, mofo) – crises

Se intensificam progressivamente em alguns dias após o contágio

Duração

Persistem enquanto houver exposição (como os agentes estão no domicílio, os sintomas tendem a ser contínuos ou muito freqüentes)

Alguns dias até uma semana

Relação com épocas do ano

Na maior parte do Brasil, persiste todo ano, com agravamento no outono / inverno

Mais comuns no outono e primavera (resfriados) e no inverno (gripe)

OS ADULTOS E CRIANÇAS QUE TÊM RINITE ALÉRGICA, TÊM MAIOR FACILIDADE DE CONTRAIR INFECÇÕES DAS VIAS AÉREAS SUPERIORES (RESFRIADOS E GRIPE), E TAMBÉM PODEM TER ALTERAÇÕES CAUSADAS PELA INFLAMAÇÃO ALÉRGICA NAS MUCOSAS NASAL E DOS SEIOS PARA-NASAIS, QUE PODEM FACILITAR O CRESCIMENTO DE BACTÉRIAS DENTRO DOS SEIOS DA FACE, LEVANDO À SINUSITE COM INFECÇÃO BACTERIANA. NESSES CASOS TAMBÉM SERÁ NECESSÁRIO O USO DE ANTIBIÓTICOS E, FREQUENTEMENTE, DE OUTROS MEDICAMENTOS COM EFEITO ANTI-INFLAMATÓRIO/ANTI-ALÉRGICO.

QUEM TEM ASMA BRÔNQUICA (BRONQUITE ALÉRGICA), TAMBÉM SOFRE MAIS NESSE PERÍODO, POIS AS PRÓPRIAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS BRUSCAS DESTA ÉPOCA, ASSIM COMO AS INFECÇÕES VIRAIS (ESFRIADOS E GRIPIE) E A PRÓPRIA SINUSITE INFECCIOSA, SÃO CAUSAS IMPORTANTES DE CRISES E DE AGRAVAMENTO DOS SINTOMAS DE ASMA. POR ISSO É MUITO IMPORTANTE MANTER A DOENÇA SOB CONTROLE COM MEDICAMENTOS PREVENTIVOS DE CRISES.

ALÉM DISSO, O USO ANUAL DA VACINA ANTI-INFLUENZA (ANTI-GRIPAL) PODE SER VANTAJOSA AO REDUZIR A OCORRÊNCIA DA GRIPE, QUE FREQUENTEMENTE É A PORTA DE ENTRADA PARA A SINUSITE BACTERIANA EM INDIVÍDUOS ALÉRGICOS, SEJA COM RINITE OU ASMA.

NA DÚVIDA PROCURE O ESPECIALISTA.

 

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