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ALERGIA A PICADA DE INSETOS

 
A alergia é a reação exagerada do sistema imunológico contra substâncias que, teoricamente, não constituem uma ameaça ao organismo. Esta definição se adequa bem a alergia respiratória, onde os alergenos (as substancias que desencadeiam a reação) são constituintes inócuos da poeira ou de pólens de plantas. Na alergia a picada de insetos, da mesma forma, ocorrem reações exageradas a substancias presentes na saliva ou no veneno de insetos, mas da mesma forma a reação do sistema imunológico, por ser exagerada e não controlada, não protege o organismo dos efeitos das substâncias em questão, e acaba causando problema maior que a própria substância inoculada pelo inseto, podendo levar a consequências até graves, como a anafilaxia (a forma mais grave de reação alérgica generalizada, ou sistêmica).
 
A alergia relacionada a picada de insetos pode se manifestar na forma de reação localizada ou até generalizada ao veneno de insetos picadores como a abelha, vespa, marimbondo, e também após picada de formigas, ou como a alergia a picada de insetos sugadores, principalmente os mosquitos, conhecida como prurigo estrófulo ou, simplesmente, estrófulo.
 
O estrofulo é a forma mais comum de alergia a picada de insetos nas grandes cidades, seguida das reações a picadas de formigas e das reações as picadas de abelhas, marimbondos e vespas (estas mais frequentes em cidades menores e no interior). As crianças são particularmente vulneráveis, por estarem mais tempo expostas ao contato com estes insetos nos parques, play-groundse em outras áreas de lazer, até mesmo na creche ou na escola. Outro grupo de importância são os trabalhadores rurais, e principalmente os apicultores, pelo contato direto e diário com abelhas.
 
O estrofulo geralmente se inicia durante o primeiro ano de vida, com lesões após picada de mosquito que evoluem com pequenos caroços, podendo haver bolhas pequenas que se rompem, e tendem a formar uma ferida (figura 1). A lesão é rodeada por um halo de vermelhidão, e é muito pruriginosa (coça muito). Frequentemente, por causa da coceira, a ferida pode aumentar e até infectar, evoluindo com secreção amarelada e posteriormente com uma cicatriz duradoura. Este é um problema particularmente preocupante nas pessoas de pele mais escura em geral, e nas meninas, que poderão ficar com cicatrizes para o resto da vida (figura 2). Eventualmente, também surgem lesões chamadas “satélite”, ou seja, ao redor de uma única picada do mosquito, podem surgir outras lesões sem necessidade de várias picadas. As áreas mais acometidas são as áreas naturalmente mais expostas aos mosquitos: a face, os braços e pernas.
 
Uma parcela das crianças pequenas evoluem naturalmente para a redução das reações e a cura em meses, como se fossem naturalmente dessensibilizadas pelas repetidas picadas de mosquito. Muitas outras crianças permanecem tendo estas reações, e aí o problema passa a ser grande, pelos já descritos riscos de infecção secundária das lesões, e pela produção de cicatrizes em braços e pernas, com prejuízo estético e da qualidade de vida. Nestes casos, a imunoterapia (vacinas específicas para reduzir a intensidade das reações alérgicas) é altamente eficaz, induzindo aquela dessensibilização que não ocorreu naturalmente nos primeiros meses após o início do quadro.
 
Já as reações a picadas de formiga, abelhas e marimbondos/vespas (figura 5) evoluem de forma variada, podendo ser apenas uma reação local, com inchação, dor, vermelhidão e coceira, evoluindo sem deixar feridas e cicatrizes, até reações com placas vermelhas com coceira (a urticária – figura 3) a distância e até generalizada (em todo corpo). O extremo de gravidade e de intendsidade dessa reação generalizada é a chamada anafilaxia, onde ocorre, além do surgimento de urticária em várias áreas da pele, alterações de outros órgãos/sistemas, como queda da pressão arterial pelo acometimento cardiovascular, falta de ar, seja pelo acometimento dos brônquios (como numa crise de asma), seja pela inchação da laringe com obstrução da entrada do ar (o chamado “edema de glote”), e até dor na barriga e diarréia, por alterações do trato digestivo. Estas reações, mesmo as localizadas, podem evoluir para reações generalizadas, e as reações subsequentes, após novas picadas, tendem a ser mais graves que as anteriores. Por isso, em geral, as pessoas que têm alergia a insetos deste tipo necessitam fazer o uso da imunoterapia, que é a única forma de reduzir a intensidade da reação do sistema imunológico quando entra em contato com as substâncias presentes no veneno destes insetos. A imunoterapia literalmente salva vidas nos casos de reações graves a picada destes insetos. As pessoas que já tiveram reações generalizadas/graves, e continuam expostas ao risco de novas reações, devem ter um cartão de identificação com estas informações, e carregar consigo medicação (adrenalina) para auto-aplicação em casos de emergência (figura 4).
 
Para qualquer um dos tipos de alergia a insetos (mosquito-estrófulo ou abelhas/marimbondos/formigas-urticaria/anafilaxia), sempre são necessários cuidados de proteção, como evitar os locais onde sabidamente existem estes insetos, usar roupas compridas e sem cores fortes (que atraem abelhas), evitar perfumes fortes e adoçicados (pelo mesmo motivo), e uso de telas de proteção nas janelas, cortinados em berços e camas, e repelentes para uso em ambientes e/ou na pele, de acordo com a faixa etária.
 
Se você tem reações duradouras a picada de mosquitos, ou já teve reações locais ou generalizadas a picadas de abelha/marimbondo/formiga, consulte um especialista em alergia e imunologia para avaliar adequadamente seu caso, receber orientações de proteção e sobre a necessidade de tratamento.
 
           Estrófulo – lesão aguda                                  Estrófulo – cicatrizes
 
                                                                  Urticária                Adrenalina auto-injetável
 
 
 
 
 

DERMATITE ATÓPICA OU ECZEMA ATÓPICO – DICAS IMPORTANTES

 

A dermatite atópica é uma afecção alérgica crônica da pele, mais comum em crianças, e que faz parte da chamada tríade atópica: o grupo de doenças alérgicas que têm um caráter hereditário e comumente ocorrem em associação no mesmo indivíduo, seja ao mesmo tempo, seja em épocas diferentes da vida. São elas a dermatite atópica, a asma brônquica e a rinite alérgica.

 

A dermatite atópica se manifesta característicamente por lesões inflamatórias crônicas e/ou recorrentes da pele, o chamado eczema, geralmente limitadas a áreas típicas desta doença, dependendo da idade do paciente. Por exemplo, no lactente é mais comum o aparecimento das lesões na face (bochechas), pescoço e, eventualmente, no couro cabeludo, dorso e membros (braços e pernas). Já em crianças maiores, adolescentes e adultos, as lesões tendem a se concentrar nas dobras dos cotovelos e dos joelhos, podendo também aparecer em outras regiões, como o pescoço. Além disso, o padrão regional de acometimento pode variar entre os dois extremos, ou seja, os casos graves, com lesões praticamente disseminadas, e os casos mais leves, com lesões localizadas e brandas.

 

Assim como nas outras doenças atópicas respiratórias (rinite e asma), na dermatite atópica também há um processo inflamatório crônico da pele, associado a hiperssensibilidade (alergia), que pode estar relacionada a várias substâncias (antígenos) do meio ambiente e de alimentos, por exemplo. Caracteristicamente, esse processo inflamatório da pele na dermatite atópica pode ser exacerbado por vários fatores, como os próprios antígenos (p.ex. ingestão de alimento alergênico ou contato direto com substâncias de ácaros na cama), por fatores irritantes inespecíficos (perfumes, esfoliantes, calor), pelo estresse emocional e pelo próprio trauma (atrito de roupas apertadas ou do próprio ato de coçar).

 

Além disso, a chamada “pele atópica” também tem características próprias que a tornam diferente da pele de pessoas sem alergia, como a redução de componentes normais da matriz extracelular (as várias proteínas e outras substâncias que constituem a arquitetura de sustentação da pele) e a menor produção de gorduras naturais, que hidratam e protegem a pele do meio externo. Por isso a pele do paciente atópico (tenha ele eczema e/ou alergia respiratória) geralmente é mais seca, áspera e tende a coçar mais que a pele de pessoas normais. E ainda, pode ser mais suscetível a infecção por bactérias e fungos que a pele normal.

 

Por tudo isso, além de medidas para evitar o contato (por ingestão ou direto na pele) com as substâncias que causam a reação alérgica e do uso de medicamentos adequados (e isso só pode ser avaliado individualmente pelo médico alergista), é importante manter cuidados especiais, aumentando sua hidratação e evitando as agressões inespecíficas (químicas e físicas), pois todas elas servem como “gatilhos” para aumentar a inflamação, criando um círculo viçioso, onde mais inflamação leva à mais coçeira, e o trauma da coçadura leva à mais inflamação da pele.

 

Algumas dicas importantes para todas as idades:

- evitar roupas apertadas e de tecidos sintéticos – quanto menos roupa melhor;

- evitar sabonetes esfoliantes – preferir sempre sabonetes hidratantes;

- evitar o banho quente, o excesso de banhos e a permanência por muito tempo

  em ambientes quentes – preferir banho morno a frio (um a dois por dia, no máximo)

  e ambientes refrigerados;

- evitar talcos e perfumes com fragrâncias muito ativas;

- manter toda a pele sempre bem hidratada, através do uso de creme

  ou gel adequado a cada caso;

- usar medicamentos de forma criteriosa, sempre sob orientação do especialista.

  Medicamentos tópicos adequados, porém usados de forma incorreta

  ou em áreas extensas podem causar efeitos adversos sistêmicos

  (no resto do organismo) e, por outro lado, medicamentos inadequados podem

  piorar a inflamação da pele, e mesmo induzir novas sensibilizações (alergias).

 

 

                                    Dermatite atópica no lactente

 

                                                Dermatite atópca no adulto

REAÇÕES ADVERSAS E ALERGIA A MEDICAMENTOS COMUNS

 

REAÇÕES ADVERSAS E ALERGIA AO ÁCIDO ACETIL-SALICÍLICO (AAS),

ANTI-INFLAMATÓRIOS (AINEs), DIPIRONA E ANTIBIÓTICOS

Co-autoria: Dra. Raquel G. Rocha 

(Médica bolsista do Setor de Alergia e Imunologia do HU Pedro Ernesto/UERJ) 

 

Esse é um tema importante, comum no dia-a-dia, porém difícil, pois nem toda reação a um medicamento é uma alergia verdadeira, mesmo quando as manifestações (sinais e sintomas) são idênticas as reações alérgicas, e não há testes alérgicos específicos na maioria dos casos.

 

§    Reações alérgicas (verdadeiras) não dependem da dose e são específicas para uma determinada substância. Dependem de um mecanismo imunológico, ou seja, dependem da produção de anticorpos ou da proliferação de células específicas para reagir contra a substância em questão. Estas podem, eventualmente, ser confirmadas ou afastadas através de testes alérgicos na pele.

§       Reações pseudo-alérgicas dependem da dosagem usada e podem ocorrer para substancias diferentes, que tenham a mesma ação terapêutica. Seus sinais e sintomas são praticamente os mesmos das reações alérgicas, mas não há um mecanismo imunológico envolvido (anticorpos ou células do sistema imune). Muitas vezes dependem de sensibilidade individual decorrente de diferentes formas de metabolização (transformação e degradação) do medicamento no organismo. Para essas reações, que são as mais comuns, não há testes na pele úteis para o diagnóstico.

 

§       As principais manifestações possíveis das reações alérgicas e pseudo-alérgicas são: prurido (coçeira), urticária (placas vermelhas, elevadas e pruriginosas), angioedema (inchação aguda de causa alérgica ou pseudo-alérgica), reações gastro-intestinais (dor na barriga, diarréia), rinoconjuntivite  (espirros, coçeira no nariz e olhos, olho vermelho, lacrimejamento), asma (broncoespasmo/falta de ar/tosse/chiado), e até reações sistêmicas graves como anafilaxia (quando ocorrem várias destas manifestações juntas), podendo chegar até ao choque e/ou edema de glote)

 

1-   AAS/ Anti-inflamatórios não esteroidais (AINES)

§       AAS – ação analgésica e anti-pirética – exemplos: Aspirina, Melhoral, Sonrisal, aparece também associado em medicamentos anti-gripais, etc. 

AINES – ação analgésica, anti-inflamatória e anti-pirética – exemplos: Diclofenaco/ Voltaren, Naproxeno/Naprosyn, Piroxicam/Feldene, outros

§       Quem já teve reação ao AAS, a princípio, não deve usar outro anti-inflamatório, pois os mecanismos destas reações (pseudo-alérgicas) são os mesmos para drogas diferentes.

 

2-   DIPIRONA

§       Uma das drogas mais consumidas para dor e febre – exemplos: Novalgina, Baralgin, também aparece associada a outras substancias em medicamentos para resfriados e relaxantes musculares.

§       Tem mecanismo de ação parcialmente similar ao AAS/AINEs, e por isso também pode causar reação em pessoas com histórico de reação prévia ao AAS/AINEs.

 

3-   PARACETAMOL

§       É outro medicamento comumente usado para dor e febre. Tem ação em parte semelhante aos anteriores, e por isso também pode causar reação nas doses maiores, porém com frequência muito inferior em relação ao AAS/AINEs e a Dipirona. Exemplos: Tylenol, Tylephen, Dôrico, e outros. Nos casos de reações ao AAS, AINEs e dipirona, o paracetamol poderá ser usado SOB ORIENTAÇÃO MÉDICA.

  

4-   ANTI-INFLAMATÓRIOS "SELETIVOS " (são os mais recentes ou modernos)

§       Exemplos: Arcoxia, Celebra

§       São uma alternativa aos AINES em casos de reações prévias – têm menor risco de causarem reações, mas também podem causá-las, e por isso só devem ser usados como última opção e não devem ser usados sem rígida orientação médica.

 

5-   ANTIBIÓTICOS

São medicamentos usados para combater infecções (geralmente bacterianas – sinusite, infecção urinária, otite, amigdalite, pneumonia, etc.). Não têm efeito analgésico ou anti-febril => não têm o mesmo mecanismo de ação que eles, e por isso não têm relação com as reações adversas causadas pelos anti-inflamatórios citados anteriormente.

 

Beta lactâmicos (penicilinas)

Exemplos – Ampicilina, Amoxicilina, Amoxil, Benzetacil, Clavulin, Sigma-clav, etc.

§       Podem causar reações mesmo em doses mínimas (principalmente perenteral – via venosa ou intra-muscular), pois essas reações geralmente são alérgicas verdadeiras. A aplicação na pele também pode causar alergia por contato, chamada dermatite de contato.

§       Reações podem ser imediatas (na primeira hora), aceleradas (1-72 horas)  ou  tardias (começam após 3 dias)

§      A melhor conduta quando há um histórico prévio de reação, é  substituir as penicilinas por antobióticos de outras classes, com estrutura química diferente.

§       Quando não é possível a substituição, o que é raro, pode-se fazer a dessensibilização (procedimento no qual se administra doses crescentes do medicamento em curto espaço de tempo) para reduzir o risco de reações graves (só pode ser feito com consentimento escrito do paciente e no hospital, devido ao risco de reações – nunca tente fazer algo do gênero por conta própria).

 

Cefalosporinas - exemplos: Keflex, Keflin, Cefaclor/Ceclor, Cefuroxime/Zinnat, etc.

§       Podem dar “reação cruzada” com as penicilinas (por terem estrutura química semelhante, podem induzir uma reação alérgica verdadeira).

§       Por isso não são uma boa opção para substituir as penicilinas

 

Sulfas

§       Exemplo: Bactrim, Sulfadiazina

§      Quem tem histórico de reações, deve evitar substâncias quimicamente relacionadas (também podem dar a reação cruzada, mesmo não sendo antibióticos): alguns diuréticos (medicamentos que aumentam a produção de urina) e outras drogas usadas em hipertensão arterial e doenças cardíacas), alguns hipoglicemiantes orais (usados em Diabetes) e alguns anestésicos.

 

IMPORTANTE

- A maioria das reações adversas aos medicamentos não são alérgicas ou pseudo-alérgicas (p.ex. náusea, tontura, dor de cabeça, diarréia, outras). São apenas reações adversas ou efeitos colaterais, que podem ser avaliados pelo médico que prescreveu a medicação em questão.

- Nem todas as reações que parecem alergia são alérgicas de verdade (exemplo é o grupo chamado pseudo-alérgico), e por isso não existe testes para muitos dos casos.

- Os testes alérgicos só são úteis para alguns casos como na alergia às penicilinas e anestésicos locais, mas nem sempre eles são necessários.

- Quem já teve uma reação (alérgica ou pseudo-alérgica) deve procurar o médico especialista em alergia (alergista), para ser orientado em relação aos medicamentos a serem evitados, e deve ter um cartão ou folha impressa com estas orientações junto aos seus documentos, para casos de atendimento em acidentes ou outras situações em que possa estar inconsciente ou impossibilitado de dar estas informações.

RESFRIADOS, GRIPE E SINUSITE INFECCIOSA – UMA EVOLUÇÃO FREQUENTE E MAIS GRAVE EM ALÉRGICOS

RESFRIADOS, GRIPES E SINUSITES INFECCIOSAS
AFECÇÕES COMUNS NO INVERNO
 
 O INVERNO, APARENTEMENTE NÃO MUITO INTENSO, CHEGOU. NESSA ÉPOCA DO ANO É COMUM A OCORRÊNCIA DE RESFRIADOS (RINITE VIRAL) E GRIPE (INFLUENZA) QUE, FREQUENTEMENTE, PODEM COMPLICAR EVOLUINDO PARA SINUSITE (INFLAMAÇÃO DOS SEIOS DA FACE) DE CAUSA INFECCIOSA.
ISSO ACONTECE PORQUE A MUCOSA, O TECIDO QUE REVESTE AS CAVIDADES NASAIS, É O MESMO E SE CONTINUA COM A MUCOSA DOS SEIOS PARA-NASAIS, SITUADOS AO REDOR DAS FOSSAS NASAIS, DENTRO DOS OSSOS DA FACE E DO CRÂNIO.
 
MUITAS DAS SINUSITES SÃO DE CAUSA VIRAL, ASSIM COMO OS RESFRIADOS E GRIPES, E POR ISSO NÃO REQUEREM O USO DE ANTIBIÓTICOS. NESSES CASOS OS SINTOMAS SÃO MENOS INTENSOS E DURADOUROS QUE NA SINUSITE COM INFECÇÃO BACTERIANA.
NESTA ÚLTIMA, A DOR FACIAL (ACIMA, AO REDOR DOS OLHOS E/OU NAS MAÇÃS DO ROSTO) É MAIS INTENSA, COM SENSAÇÃO DE PESO OU PRESSÃO NESSAS REGIÕES, E PODE HAVER FEBRE (NÃO MUITO ALTA, GERALMENTE EM TORNO DE 38 – 38,5 GRAUS), ALÉM DE TOSSE QUE PIORA AO DEITAR E MUITA SECREÇÃO NASAL AMARELA OU ESVERDEADA E ESPESSA. NESSES CASOS, É INDISPENSÁVEL A AVALIAÇÃO MÉDICA, POIS GERALMENTE É NECESSÁRIO O USO DE ANTIBIÓTICO ADEQUADO E POR TEMPO SUFICIENTE PARA RESOLVER A INFECÇÃO.
 
COMO DIFERENCIAR A RINITE ALÉRGICA DA RINITE VIRAL?

 

RINITE ALÉRGICA

RESFRIADO / GRIPE

Sintomas

Coriza aquosa/transparente, espirros, coçeira e obstrução nasal, pode haver coçeira ocular e lacrimejamento

Semelhante a rinite alérgica, mas pode haver mal-estar, dores musculares e febre

Início/evolução

Imediatamente após a exposição aos agentes desencadeantes (poeira, animais, mofo) – crises

Se intensificam progressivamente em alguns dias após o contágio

Duração

Persistem enquanto houver exposição (como os agentes estão no domicílio, os sintomas tendem a ser contínuos ou muito freqüentes)

Alguns dias até uma semana

Relação com épocas do ano

Na maior parte do Brasil, persiste todo ano, com agravamento no outono / inverno

Mais comuns no outono e primavera (resfriados) e no inverno (gripe)

OS ADULTOS E CRIANÇAS QUE TÊM RINITE ALÉRGICA, TÊM MAIOR FACILIDADE DE CONTRAIR INFECÇÕES DAS VIAS AÉREAS SUPERIORES (RESFRIADOS E GRIPE), E TAMBÉM PODEM TER ALTERAÇÕES CAUSADAS PELA INFLAMAÇÃO ALÉRGICA NAS MUCOSAS NASAL E DOS SEIOS PARA-NASAIS, QUE PODEM FACILITAR O CRESCIMENTO DE BACTÉRIAS DENTRO DOS SEIOS DA FACE, LEVANDO À SINUSITE COM INFECÇÃO BACTERIANA. NESSES CASOS TAMBÉM SERÁ NECESSÁRIO O USO DE ANTIBIÓTICOS E, FREQUENTEMENTE, DE OUTROS MEDICAMENTOS COM EFEITO ANTI-INFLAMATÓRIO/ANTI-ALÉRGICO.

QUEM TEM ASMA BRÔNQUICA (BRONQUITE ALÉRGICA), TAMBÉM SOFRE MAIS NESSE PERÍODO, POIS AS PRÓPRIAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS BRUSCAS DESTA ÉPOCA, ASSIM COMO AS INFECÇÕES VIRAIS (ESFRIADOS E GRIPIE) E A PRÓPRIA SINUSITE INFECCIOSA, SÃO CAUSAS IMPORTANTES DE CRISES E DE AGRAVAMENTO DOS SINTOMAS DE ASMA. POR ISSO É MUITO IMPORTANTE MANTER A DOENÇA SOB CONTROLE COM MEDICAMENTOS PREVENTIVOS DE CRISES.

ALÉM DISSO, O USO ANUAL DA VACINA ANTI-INFLUENZA (ANTI-GRIPAL) PODE SER VANTAJOSA AO REDUZIR A OCORRÊNCIA DA GRIPE, QUE FREQUENTEMENTE É A PORTA DE ENTRADA PARA A SINUSITE BACTERIANA EM INDIVÍDUOS ALÉRGICOS, SEJA COM RINITE OU ASMA.

NA DÚVIDA PROCURE O ESPECIALISTA.

 

ASMA E GRAVIDEZ – COMO FAZER PARA QUE TUDO CORRA BEM ?

    
     Esta matéria é especial para as futuras mamães que têm alergia e/ou asma.
 
     Como gosto do assunto, e minha esposa é médica ginecologista-obstetra, não é raro atender grávidas que tem ou já tiveram asma brônquica ("bronquite alérgica"), ou ouvir falar de mulheres que tem que lidar com diferentes opiniões de seus médicos, que muitas vezes resultam em mudanças ou até mesmo suspensão de tratamentos, devido a possibilidade de efeitos indesejáveis dos mesmos sobre a evolução da gestação e sobre o feto.
     Algumas informações importantes sobre isso:
- quando se analisa a evolução da asma durante a gestação, os estudos mostram que qualquer tipo de evolução é possível, com uma distribuição mais ou menos semelhante entre as 3 possibilidades, ou seja, 1/3 das mulheres tem piora da asma, 1/3 tem melhora e 1/3 não têm alteração da evolução da doença durante a gravidez. Portanto, quando se trata da 1a gestação de uma mulher com asma, qualquer um dos 3 caminhos de evolução da doença pode acontecer;
- quando se trata de uma gestação posterior (a 2a ou 3a, e assim por diante), a evolução da asma tende a ser semelhante aquela que ocorreu na 1a gravidez. Em outras palavras, quem melhorou tenderá a melhorar novamente, quem pirou tenderá a piorar, e quem não teve alteração na doença durante a 1a gestação, provavelmente, não terá alteração de sua evolução na gravidez posterior. Note-se que sublinhei a palavra provavelmente, pois a medicina baseia-se muito em probabilidades, no que é mais comum ou frequente;
- muitas gestantes asmáticas deixam de usar determinados medicamentos importantes para o controle da sua doença, os chamados medicamentos preventivos de crises ou anti-inflamatórios das vias aéreas, por terem medo de seus efeitos sobre o feto, ou mesmo, por receberem orientação inadequada de outras pessoas e até de médicos. Está demonstrado que a asma mal controlada, com exacerbações (crises) frequentes, ela sim, aumenta o risco de desfechos negativos sobre a gravidez e o feto, como prematuridade e baixo peso ao nascer. Por isso, antes de parar o uso de uma medicação de controle da asma por causa da gestação, ouça a opinião de seu médico obstetra e, se houver alguma dúvida, procure um especialista em asma;
- por último é importante lembrar que não é raro também acontecer de mulheres com alergia/asma, quando engravidam, pararem o uso da imunoterapia (vacinas para controle das alergias). A imunoterapia, quando já usada e em fase de manutenção, não é contra-indicada na gravidez, pois o risco de efeitos adversos é mínimo. O que é contra-indicado é iniciar o uso da imunoterapia já estando grávida, pois a fase inicial deste tratamento, chamada de fase de indução na qual há o aumento progressivo das doses da vacina, é que está sujeita a ocorrência de efeitos colaterais que devem ser evitados durante a gravidez.
     Muitas vezes, a suspensão de medicamentos seguros e/ou da imunoterapia é que podem acabar resultando em descontrole da doença e aumento do risco de complicações para a gravidez e o concepto. Por isso, na dúvida, sempre procure uma opinião especializada. 

CLIMA SECO, OUTONO / INVERNO, POLUIÇÃO E DOENÇAS RESPIRATÓRIAS

Estamos vivendo modificações no clima do planeta, e os meteorologistas prevêem um outono mais seco e mais quente que o habitual este ano. O ar seco, por si só, já é um irritante para as vias aéreas, podendo agravar os sintomas de doenças respiratórias crônicas, como a asma. Além disso, a falta de chuvas e de vento, permite o acúmulo de poluentes atmosféricos em maior quantidade e por maior tempo em suspensão no ar, principalmente em grandes cidades como a nossa. Esses poluentes são gases e partículas  naturais ou resultantes da atividade humana, como p. ex. SO2, NO2, ozônio, monóxido de carbono (CO) e partículas provenientes da queima de combustíveis (diesel, gasolina, p. ex.). Estudos em diversas partes do planeta sugerem que a prevalência das alergias respiratórias (rinite e asma) são maiores em locais onde há maior quantidade destes poluentes, os quais funcionariam como irritantes da mucosa respiratória, permitindo maior penetração de alérgenos (substancias que causam a alergia) no organismo. Outros dados de estudos recentes, demonstraram também que as partículas de diesel funcionam como carreadoras de alergenos, aumentando o seu poder sensibilizante e alergizante.
Já estamos vivendo um período de calor e ausência de chuvas neste final de verão e início de outono, que já pode estar causando piora de sintomas respiratórios em pessoas com esses problemas. Entretanto, a situação geralmente se agrava quando as frentes frias que vem da região sul do país conseguem vencer a massa de ar quente e seco sobre a nossa região (sudeste), trazendo quedas bruscas da temperatura, e a necessidade de se passar maior tempo dentro de casa ou em ambientes fechados. Ar frio, que também é irritante para a mucosa respiratória e pode causar constrição (fechamento) dos brônquios nas pessoas com asma, associado ao maior tempo dentro de ambientes fechados, cheios de poeira, ácaros e outras substâncias alergênicas, e a maior ocorrência de resfriados e gripes, formam um cenário ideal para a piora dos sintomas de alergia respiratória e a ocorrência das crises de asma.
No inverno aqui no Rio é comum acontecer o fenômeno da inversão térmica. Após a entrada de um frente fria, e das chuvas e frio que a acompanham, geralmente sobrevêem dias de céu claro, sem nuvens ou chuva, mas ainda com tempo frio e nevoeiros de manhã. Nesse dias, o ar frio "aprisiona"os poluentes próximo ao solo, por que o ar mais quente, aquecido pelo sol, fica nas camadas mais altas, formando um bolsão que perpetua este fenömeno por mais tempo. Nesses dias, com ar frio e grande quantidade de poluentes sobre a cidade, os alérgicos costumam piorar ainda mais.
Para se preparar para essa época do ano, o melhor é manter os ambientes domiciliares limpos (veja medidas de controle ambiental), se agasalhar adequadamente nos períodos mais frios, e manter sua doença respiratória controlada antes do inverno chegar. Por isso, é importante ir ao seu médico antes que as coisas piorem e saiam do controle, para rever se sua rinite e/ou asma estão estáveis, e se não é preciso fazer algum ajuste no tratamento.
Para finalizar, creio que todos nós, independentemente da área de interesse e trabalho, devemos nos preocupar também com a saúde do nosso planeta. Efeito estufa, aquecimento global, escassez de água num futuro próximo, tudo isso tem a ver com a saúde da grande mãe natureza, que é única, e por isso, todos temos que nos preocupar com ela, no nosso dia-a-dia. No banho, na hora de fazer a barba ou escovar os dentes, na hora de apagar a luz, na hora de andar de carro. Cada um pode, e na minha opinião, deve ajudar o planeta desde já.

ASMA BRÔNQUICA, BRONQUITE ASMÁTICA, BRONQUITE ALÉRGICA = MUITOS NOMES PARA O MESMO PROBLEMA

     Existe uma grande confusão entre não médicos, em relação a todos esses nomes. Vou tentar ajudar a esclarecer isso.
     ITE, quando colocado no final de um termo, significa, na linguagem médica, inflamação. Dessa forma, rinite é a inflamaçào nasal, celulite é a inflamaçào do tecido adiposo que fica abaixo da pele, colite é a inflamação do cólon (intestino grosso), e bronquite é a inflamação dos brônquios, que são as grandes e médias vias aéreas (os tubos que levam o ar para dentro e para fora dos pulmões, durante a respiração).
     Existem vários tipos de bronquite, dependendo dos fatores causais, dos mecanismos que causam e mantém o processo inflamatório, e da duração do problema (agudo ou crônico). Desta forma existe:
a bronquite viral, caracterizada por tosse, dor no peito, catarro branco e que pode se iniciar exatamente como os resfriados e gripes, durando alguns dias ou poucas semanas (por isso é uma bronquite aguda), e tende a evoluir para cura sem uso de antibióticos, pois o próprio sistema imunológico do indivíduo acaba eliminando os vírus causadores da inflamação;
- a bronquite bacteriana, que geralmente surge como complicação de uma bronquite aguda viral, quando a sua duração é mais prolongada, e o catarro torna-se amarelado ou esverdeado, podendo ter febre, e só melhora com o uso de antibióticos, pois nesse caso há a presença de bactérias no revestimento brônquico causando e perpetuando a inflamação;
- a bronquite crônica, aquela que evolui por meses ou anos, com tosse recorrente, e que, na maioria das vezes, é causada por poluentes externos. Nesse caso, o grande exemplo é a bronquite tabágica, ou do fumante, onde a fumaça do cigarro causa lesões repetidas a várias células que revestem os brônquios. Essa bronquite do fumante facilita a ocorrência das infecções bacterianas, podendo então sobrepor-se a ela bronquites bacterianas com maior frequência;
- a bronquite alérgica, que ao pé da letra significa a inflamação crônica dos brônquios de causa alérgica. Ora, isso é o que chamamos de asma brônquica. Muitas pessoas, e até mesmo alguns médicos, utilizam o termo bronquite como sinônimo da asma. Em parte por desconhecimento desta classificação, em parte para evitar o uso do termo asma, que muitas vezes soa como algo muito grave e de difícil tratamento, ou mesmo porque o termo bronquite é muito difundido na nossa sociedade de longa data, e ele vai passando de geração em geração entre pais e mães, que acabam utilizando-o de forma errada. O melhor é usar e assumir o termo asma brônquica, pois assim tanto o paciente com asma quanto o médico que está dele cuidando terão maior atenção nesse tratamento, alcançando melhores resultados.
     Na verdade, a asma brônquica, é uma das formas mais comuns de inflamação crônica dos brônquios (bronquite), pois acomete cerca de 5% da populaçào em geral (chegando a 10% nas crianças). Ela tem carcterísticas peculiares, que as diferenciam das outras formas de bronquite. Por exemplo, cerca de 80% da doença crônica asma é de causa alérgica (em crianças isso chega a 90%). Uma minoria de casos de asma crônica está associada apenas a fatores não alérgicos, como poluentes, odores fortes, infecções virais, mudanças climáticas e exercício físico. A grande confusão é que, também na asma alérgica, que é a maioria dos casos, esses fatores não alérgicos desencadeantes de crises também atuam. Em outras palavras, o asmático alérgico (a maioria), tem como principal causa de sua asma a resposta alérgica aos fatores ambientais (da poeira = ácaros, animais domésticos, fungos e insetos), mas eles também reagem de forma exagerada, ou hiperreativa, aos fatores não alérgicos citados anteriormente. A via aérea dessas pessoas, já inflamada por causa da resposta alérgica repetida nos brônquios, fica hiperreativa. Em crianças, inclusive, é muito frequente o desencadeamento de crises de asma por infecções virais (resfriados, gripes e até mesmo bronquites virais).
     Mas qual a diferença entre asma brônquica (doença crônica)  e crise de asma ? Podemos dizer que a crise é apenas "a ponta do iceberg" que estamos vendo. A crise representa o agravamento súbito da inflamação dos brônquios associado a uma resposta característica dos músculos que envolvem esses canais ou dutos de ar. Quando esses músculos se contraem em resposta a um daqueles fatores desencadeantes citados (alérgicos ou não), ocorre o que chamamos de broncoespasmo (espasmo ou fechamento dos brônquios). Esse fenômeno é o responsável pela tosse, chiado e sensação de falta de ar característicos da crise de asma. Entretanto, mesmo quando não está ocorrendo uma crise dessas, e a pessoa está se sentindo bem, há uma inflamação crônica e persistente no tecido que reveste os brônquios, que chamamos de mucosa brônquica.
 
     Diante desses conhecimentos, que vêm crescendo nas últimas 3 décadas, na atualidade não é mais admissível, o tratamento exclusivo das crises de broncoespasmo, sem um tratamento global que melhore as condições ambientais onde o asmático vive e trabalha (vide o texto medidas de controle ou higiene ambiental), e que controle o processo inflamatório crônico que persiste nas vias aéreas mesmo fora das crises e que, na verdade, é a parte maior do problema, assim como a parte do iceberg que não vemos, e que está sob o nível do mar. Alguns casos, entretanto, podem não requerer esse tratamento crônico, de manutenção, se a gravidade do problema é pequena (os chamados casos de asma intermitente), ou quando o único e exclusivo fator desencadeante é o exercício físico, e sua ocorrência não é frequente.
    Quando o tratamento crônico, de manutenção ou preventivo de crises, é necessário, ele consiste no uso de medicamentos de acordo com índices clínicos, laboratoriais e funcionais de cada paciente, associados ou não ao uso de imunoterapia (vacinas para alergia), dependendo do quanto os fatores alérgicos são importantes na evolução da doença e na qualidade de vida de cada pessoa em questão. Por isso não existe uma receita de bolo única e aplicável de forma igual no tratamento de todos os asmáticos. É preciso avaliar caso a caso, para se decidir a melhor conduta, e, para isso, essa avaliação deve contemplar uma história clínica e exame físico bem feitos, uma avaliação alérgica (idealmente através dos testes alérgicos feitos na pele pelo médico alergista) e a avaliação funcional pulmonar, quando possível, através do exame chamado espirometria ou prova de função respiratória. Com esses dados é possível então decidir qual a melhor forma de iniciar um tratamento de controle da doença e, regularmente, reavaliá-lo, pois a necessidade de medicamentos pode variar dependendo da estação do ano e pode, inclusive, diminuir progressivamente se a imunoterapia for corretamente indicada e acompanhada, em casos selecionados.
     Muito importante no tratamento da asma, seja o de manutenção, seja o das crises, é que o asmático ou os seus pais (no caso das crianças pequenas) saibam : a) identificar precocemente os sintomas de crise; b) saber quais são os medicamentos indicados para a crise e para a manutenção e c) saber usá-los corretamente, já que a maioria é para uso inalatório, ou seja, são administrados diretamente nas vias aéreas para que atuem nos brônquios de maneira rápida, sem efeitos colaterais para o resto do organismo.
 
 
     Eduardo Costa MD MBA MSc – Alergia e Imunologia Clínica

15 VERDADES SOBRE COMBATE AO ENVELHECIMENTO

ESPECIALISTAS ESCLARECEM O PAPEL DE 15 PRÁTICAS DIFERENTES
ASSOCIADAS AO REJUVENESCIMENTO, OU AO RETARDO DO ENVELHICIMENTO
(da Folha On Line, 13/12/2006)
COMENTÁRIOS ADICIONADOS EM AZUL POR EDUARDO COSTA
 
 
Medo, orgulho, estranheza, tranqüilidade, paz. Um leque de sentimentos diversos costuma acompanhar a chegada da velhice. Alguns deles se tornarão determinantes, fazendo com que essa etapa da vida seja encarada com naturalidade por uns e com receio por outros.

Numa época de prateleiras lotadas de cosméticos que prometem apagar os traços da idade, de pílulas que sugerem a retomada do vigor sexual da juventude, de cirurgias que esculpem corpos e rostos para que vençam o tempo, o que passou a significar, afinal, envelhecer?

De um lado, autores ancorados em inovações tecnológicas anunciam que, num tempo não muito distante, será possível recorrer a milhares de ferramentas para driblar o envelhecimento e sua indesejável "decrepitude". Do outro, geriatras enfatizam que não há fórmula nenhuma que permita não envelhecer e que, portanto, o melhor caminho a ser trilhado é manter a preocupação de simplesmente envelhecer bem.

No meio das duas correntes, fios de cabelos brancos despontam numa geração de homens e mulheres que se deparam com uma expectativa de vida cada vez maior. E, em busca de atalhos para alcançar a satisfação naquela que tradicionalmente ficou conhecida como "a idade da sabedoria", não são poucos os riscos de se deparar com promessas infundadas e com muito charlatanismo.

ISSO REJUVENESCE?

1. Vitamina C:
Não. Assim como todas a vitaminas, a C faz parte de um complexo que protege da ação dos radicais livres – causadores das doenças degenerativas. A suplementação vitamínica previne distúrbios, mas o excesso predispõe ao surgimento de cálculos renais. Já o uso tópico de vitamina C de fato combate o envelhecimento da pele. O uso de vitamina C por via oral em altas doses pode ter efeito imunoestimulador, mas deve ser feito por curto período e sob orientação médica.

2. Reposição Hormonal: Não. A reposição hormonal não é um método para "frear" o envelhecimento nem é recomendada a todos. Cerca de 80% das mulheres precisam de reposição hormonal, 20% não. Já entre os homens, apenas 30% devem recorrer ao método.

3. Ioga:
Sim. A prática incrementa a flexibilidade da coluna, que tende a ficar mais rígida com o passar dos anos. O aspecto de juventude está muito ligado à mobilidade, e quem tem a coluna mais flexível está mais apto continuar usando o corpo como quer -para dirigir ou para amarrar os próprios sapatos, por exemplo. As posturas inversas (feitas com a cabeça abaixo do coração) beneficiam a pele, e os exercícios de respiração melhoram o humor.

4. Leite de soja:
Não. A eficiência do consumo depende da forma como ele ocorre na dieta. Quem come soja a vida inteira se beneficia das propriedades dela. Já quem começa a beber um copo diário de leite de soja aos 50 anos só está se enganando.

5. Tomate: Não. O tomate contém licopeno, um agente antioxidante que contribui para a prevenção dos processos degenerativos que caracterizam o envelhecimento. Mas é preciso comer tomate todo dia por muitos anos para que isso faça diferença, e a eficiência dessa contribuição alimentar ainda não foi mensurada por nenhum estudo científico. Manter uma dieta balanceada já é uma atitude preventiva.

6. Qualidade de vida:
Sim. Quem evita trabalhar de segunda a segunda se protege do envelhecimento acelerado. A razão é simples: essas pessoas costumam assumir também posturas preventivas de saúde, encontrando tempo para praticar atividades físicas, combatendo o estresse, alimentando-se melhor e não se privando de horas de sono. Costumam também aderir à medicina de prevenção, cuidando-se antes de os problemas acontecerem

7. Cápsulas rejuvenescedoras da pele:
Não. Também conhecidas como "pílulas da beleza", as versões mais recentes dessas cápsulas prometem rejuvenescimento mais eficiente da pele ao ingeri-las. Mas o que os estudos apontam é que, para combater o envelhecimento da pele, a aplicação tópica de substâncias como o ácido retinóico e a vitamina C tem efeito superior do que a ingestão de remédios

8. Demae:
Não. O efeito do Demae (Dimetil-aminoetanol) é cosmético. Após aplicá-lo, as células sofrem uma contratura, que se torna perceptível em 20 minutos. Não atua como tratamento, e sim como um coadjuvante

9. Dormir muito:
Não. Ao contrário do que muitos pensam, quem dorme muitas horas por noite não mantém a aparência mais jovem por isso. De acordo com os especialistas, mais importante do que dormir muito é dormir bem. Quem acorda várias vezes durante a noite, tem pesadelos, apnéia (interrupção da respiração) e costuma levantar cansado, não está dormindo bem. Pessoas ansiosas tendem a ter esse tipo de sono. Pessoas obesas e que roncam muito também podem ter este problema e devem procurar um especialista.

ISSO ENVELHECE?

10. Preocupação:
Não. A máxima popular de que preocupação dá rugas e cabelos brancos não tem fundamento científico, afirmam os especialistas. Para eles, não há relação direta entre excesso de preocupação e aparecimento precoce desses sinais: o branqueamento dos pelos está mais ligado à predisposição genética, e as rugas têm relação com a exposição solar e as expressões faciais. O que se sabe é que o estresse, de maneira geral, leva ao envelhecimento indireto.

11. Predisposição genética:
Sim. A genética é um componente determinante na manifestação dos sinais do tempo, mas não é o único. Ela se soma a heranças ambientais, como o estilo de vida, a exposição solar e a dieta.

12. Sol:
Sim. O efeito envelhecedor da exposição solar inadequada é comprovado e reconhecido. Os raios solares promovem alterações tão sérias nas células da pele que, quando examinadas microscopicamente, chegam a apresentar aparência de 15 anos a mais que a idade real, e podem levar a estágios précancerosos. Vale lembrar, porém, que tomar sol é importante na prevenção de doenças como a osteoporose. O melhor então é preferir o sol antes das 10h e depois das 15h, quando a ação dos raios ultra-violeta é menor, e sempre usar protetores solares adequados ao seu tipo de pele.

13. Cigarro:
Sim. Além do risco cancerígeno, as diversas substâncias tóxicas presentes no cigarro têm forte efeito oxidante e aceleram o envelhecimento do organismo, degradando células e dificultando uma série de reações corriqueiras no corpo. Assim, embora se fale muito do aspecto envelhecido da pele dos fumantes, os especialistas alertam para o envelhecimento orgânico causado pelo cigarro, que é ainda mais perigoso. Do ponto de visto imunitário, o cigarro reduz a atividade dos macrófagos (células de defesa) e reduz a atividade dos cílios do tecido que reveste as vias aéreas, prejudicando os mecanismos de defesa naturais do aparelho respiratório.

14. Dietas calóricas:
Sim. Essa é uma das informações mais bem-definidas pela ciência em relação ao envelhecimento até agora: dietas baseadas na restrição calórica de fato fazem com que os seres vivos envelheçam mais devagar. Descobertas recentes comprovam que o envelhecimento é um processo inflamatório microscópico de células, e que o consumo elevado e contínuo de calorias leva o organismo a produzir mais substâncias infamatórias naturais. Não só a quantidade de calorias é importante, mas também a qualidade delas. P. ex., as  carnes vermelhas gordurosas são ricas em gorduras saturadas, e produtos industrializados como margarinas, batatas chips e outros possuem gorduras trans-saturadas que, em excesso, colaboram para o processo de ateroesclerose, causador de doenças cerebro-vasculares, cardíacas e renais. Por outro lado, peixes gordurosos (ex. salmão), azeite de oliva virgem, amendoim e nozes são ricos em acidos omega-3 e gorduras mono-insaturadas, que colaboram para um perfil de lipídeos sanguíneos (colesterol, etc.) mais saudável. MaAs lembre-se, gordura demais, seja boa ou má para o sistema cardiovascular, engorda de qualquer maneira. Assim, balancear a dieta com carbohidratos e proteínas é fundamental.

15. Sedentarismo:
Sim. A partir dos 40 anos, quem não faz atividade física perde gradativamente a força muscular e a flexibilidade. Conseqüentemente, corre mais risco de desenvolver doenças como osteoporose e artrose. Mesmo para quem foi sedentário durante toda a vida, nunca é tarde para começar (mas é importante fazer uma avaliação clínico-cardiológica antes de iniciar, para evitar surpresas desagradáveis). Os benefícios do exercício são perceptíveis: as articulações se tornam mais lubrificadas e ganha-se mais mobilidade nas tarefas cotidianas. Além disso, o exercício regular, de preferência aeróbico, melhora a função cardio-respiratória e aumenta a liberação de endorfinas, substâncias naturais produzidas pelo sistema nervoso central, que dão sensação de bem-estar. Viva melhor se exercitando.

Em resumo, como já sinalizado no início desta matéria, ENVELHECER BEM é o segredo, e isso inclui uma dieta saudável, aproveitar o sol de forma adequada, exercitar-se e ter uma atitude positiva e pro-ativa no seu dia-a-dia, o que inclue respeito a si próprio, aos outros e ao meio ambiente.

IMUNOTERAPIA, DESSENSIBILIZAÇÃO, VACINAS PARA ALERGIAS E PARA PREVENIR INFECÇÕES – AFINAL, QUAL A DIFERENÇA ?

 
Todos esses nomes (vacinas, imunoterapia, dessensibilização), confundem não só o público em geral, mas também os profissionais da área de saúde, e até mesmo colegas médicos não especialistas em Alergia e Imunologia Clínica.
 
O termo imunoterapia pode ser aplicado a qualquer forma de tratamento em que se usa um princípio ativo que age diretamente por mecanismos imunológicos (p. ex. um anticorpo ou uma substância estranha ao organismo – um antígeno), no qual o objetivo é a modificação da resposta imunológica com fim de tratamento para determinada(s) doença(s) já instalada(s).
 
O principal exemplo é a imunoterapia com alérgenos, usada nas alergias (rinite/conjuntivite alérgica, asma brônquica alérgica e reações a picada de insetos), ou vacinas para doenças alérgicas, que teve seu início de uso nos primeiros anos do século XX, para tratamento da rinite alérgica a pólens (inicialmente chamada de febre do feno, por ter sido descrita em primeiro lugar em fazendeiros na Inglaterra).
 
Ao longo dos últimos 100 anos e, principalmente, nos últimos 20 anos, vários mecanismos de ação vêm sendo conhecidos e melhor compreendidos, fundamentando os efeitos e a eficácia clínica da imunoterapia com alérgenos nessas enfermidades supra-citadas, reduzindo a hipersensibilidade (alergia propriamente dita), a frequência e a gravidade dos sintomas (de crise e fora da crise), a quantidade de medicamentos necessários ao controle destas doenças e, especificamente, a mortalidade nas reações graves a picadas de insetos.
 
Estes avanços foram tão grandes e esclarecedores, que a Organização Mundial de Saúde (OMS) publicou, em 1998, um documento para a comunidade médico-científica mundial, estabelecendo os parâmetros para utilização desta modalidade terapêutica, suas indicações, mecanismos, eficácia e efeitos adversos. É importante ressaltar que a imunoterapia com alérgenos, como definido pela própria OMS e endossado por todas as sociedades de especialistas em Alergia e Imunologia do mundo, deve ser indicada e acompanhada por profissionais com formação específica em imunologia clínica e treinamento em aerobiologia, ou seja, o médico especialista em Alergia e Imunologia Clínica, ou simplesmente, o alergista ou alergologista.
 
Além da imunoterapia com alérgenos (vacinas para doenças alérgicas), existem várias estratégias de imunoterapia que são utilizadas  em outras doenças, que não as alérgicas. P. ex. existem tratamentos a base de anticorpos produzidos em laboratório para o tratamento de tumores malignos, a chamada imunoterapia do câncer. Esta modalidade, apesar de fazer parte do conhecimento teórico da Imunologia Clínica, geralmente é indicada e acompanhada pelo médico oncologista clínico (especialista em câncer), ou por outros especialistas onde ela pode ser aplicável em casos selecionados (p.ex. em urologia – no câncer de bexiga e rim, em hematologia – em leucemias e linfomas, etc.). Esta também é uma área onde há um intenso e contínuo acréscimo de novos conhecimentos científicos, com potencial aplicabilidade clínica.
 
Outra confusão comum e natural, devido ao uso do termo "vacinas", diz respeito as vacinas comumente aplicadas a todas as crianças como parte do calendário vacinal, e, atualmente, também em adultos e idosos, cujo objetivo é a prevenção de doenças infecciosas (p.ex. sarampo, rubéola, tétano, coqueluche, hepatites virais, etc.). Neste caso, a vacina também é composta de uma substância estranha ao organismo, derivada do próprio agente infeccioso, e seu objetivo é desencadear no sistema imunológico do indivíduo, a produção de anticorpos protetores contra a infecção causada por aquele agente. Desta forma, as vacinas utilizadas rotineiramente desta forma, não são terapêuticas, como as vacinas usadas nas doenças alérgicas e no câncer, mas sim preventivas, ou seja, para evitar as infecções. Essas vacinas preventivas de infecções representam um dos maiores avanços que a ciência médica ofereceu à humanidade em toda a sua história.
 
Outro termo que merece esclarecimento é a palavra dessensibilização. Por muito tempo ela foi usada como um sinônimo para as vacinas usadas nas alergias, visto que um de seus efeitos é diminuir a hiperssensibilidade (=alergia) do indivíduo, ou seja levar a uma hipo ou dessensibilização. Entretanto, atualmente já se sabe que a imunoterapia com alérgenos (vacinas para alergias) tem muitos outros mecanismos de ação e efeitos, e o termo dessensibilização está restrito a procedimentos onde se induz a tolerância de indivíduos a determinados medicamentos aos quais eles apresentaram reações (alérgicas ou pseudo-alérgicas).
 
Alguns exemplos são a dessensibilização com antibióticos (penicilinas, sulfas) e com ácido acetil salicílico (AAS/Aspirina). Estes procedimentos são pouco utilizados atualmente, visto que, na maioria dos casos, existe outro medicamento diferente para ser usado em substituição ao causador do problema, e ainda, devido ao maior risco de ocorrência de reações durante o próprio procedimento.
 

MEDIDAS DE HIGIENE OU CONTROLE DO AMBIENTE NAS ALERGIAS RESPIRATÓRIAS

  

Quem tem rinite ou rinoconjuntivite alérgica, e/ou asma brônquica ("bronquite") alérgica, deve tomar cuidados diários na sua casa e, se possível, no trabalho, para reduzir o contato com as substâncias causadoras da sensibilização e desencadeadoras de sintomas (crises).

Essas medidas são tão importantes quanto os medicamentos e a imunoterapia (vacinas para alergia).

 
 - Evite livros, papéis, bichos de pelúcia ou outros objetos que acumulem  poeira no quarto de dormir;
Todos esses objetos acumulam poeira e mofo e soltam estas partículas no ar ambiente quando manipulados. Bichos de pelúcia nunca devem ficar na cama.
 - Retire tapetes e carpetes e troque as cortinas de pano por persianas de material plástico, PVC ou similar, para facilitar a  limpeza;
É impossível manter um tapete ou carpete livre de ácaros e mofo, assim como é inviável retirar cortinas semanalmente para lavagem. Melhor não tê-los.
 - O piso de toda a casa deve ser liso, e utilize pano úmido diariamente na limpeza. Evite vassoura e espanador, pois “levantam a poeira”;
O pano úmido remove a poeira sem dispersar as partículas mais finas (e mais alergênicas) no ar ambiente.
 
- Use colchão e travesseiro de espuma, forrados com capas impermeáveis fechadas (napa, curvim, PVC ou similar), que também deverão ser limpas regularmente com pano úmido;
Os ácaros se instalam na espuma dos colchões e travesseiros por serem locais quentes, úmidos e com alimentos a vontade (fungos e descamação da pele humana), e vão para a roupa de cama onde deixam suas fezes ricas em alérgenos. As capas impedem que eles saiam da espuma e que mais ácaros colonizem o local. As capas podem ser feitas ou compradas em lojas especializadas em produtos para alérgicos.
 
- Troque a roupa de cama uma a duas vezes por semana e lave os casacos antes dos meses frios (se possível com água quente);
Também é importante para remover os ácaros que estão nestas roupas. A água aquecida (> 55 graus C) mata os ácaros.
 
- Não tenha animais com pêlos e evite contato com eles. Se você já tem, intensifique sua higiene (banho semanal) e não permita que ele frequente o quarto de dormir e os móveis estofados; 
Parte dos alérgicos são sensíveis ao pêlo e caspa de animais domésticos. Mesmo os que não o são, geralmente são sensíveis aos ácaros, que podem ser carregados nos pêlos dos animais. Além disso, os animais (cães e gatos), também deixam as substâncias alergênicasno piso, móveis e nos estofados onde passaram a língua, ao lambê-los. A saliva resseca, e as substâncias alergÊnicas tornam-se facilmente dispersíveis no ambiente.
 - Não fume e procure evitar que fumem perto de você;
A fumaça de cigarro, assim como cheiros de perfumes, cloro e outros poluentes, não é alergênica, mas sim irritante para a mucosa respiratória já hiperresponsiva devido a inflamação alérgica.
 
- Pratique atividades aeróbicas ao ar livre, de acordo com sua idade e capacidade física.
Além dos benefícios psico-sociais e físicos (cardiorespiratórios) do exercício aeróbico, quanto menos tempo em ambientes fechados, menor o contato com os alérgenos inaláveis.
 
Para viver melhor, mesmo sendo alérgico, sua participação é fundamental e tem que ser ativa no tratamento !

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