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Arquivo para novembro, 2006

RINITE ALÉRGICA – O QUE É, QUAL A SUA IMPORTÂNCIA E COMO SE TRATA

 

  “Tenho um resfriado que nunca acaba”, “meu filho tem gripes repetidas” e “vivo com sinusite” são queixas muito freqüentes nos consultórios de clínicos, pediatras, otorrinolaringologistas e alergistas. Sem dúvida alguma, a maioria destes adultos e crianças sofre de rinite alérgica, e ainda não sabe disso.

O sufixo ITE significa inflamação. Desta forma, rinite , nada mais é que a inflamação do tecido (mucosa) que reveste as cavidades nasais. Com muita freqüência, esta inflamação se estende ao revestimento dos seios da face (ou paranasais), configurando uma rinossinusite. A rinite ou rinossinusite pode ser aguda (p.ex. os resfriados e gripes são rinossinusites de causa viral que evoluem em alguns dias desde o início dos sintomas até a resolução do problema), mas também pode ser crônica. A rinite (ou rinossinusite) alérgica é um dos exemplos mais comuns de rinite/rinossinusite crônica, pois o problema pode durar semanas, meses ou até, e frequentemente, anos.

A freqüência da rinite alérgica aumentou nos últimos 20 anos, e hoje ela está entre as 5 doenças crônicas mais comuns, afetando entre 10 e 30% dos adultos e até 40% das crianças em todo o mundo.

MAS, RINITE ALÉRGICA É DOENÇA ?

Sim, com certeza. A rinite alérgica não mata, mas é uma doença que causa um grande impacto na qualidade de vida de quem sofre com ela, principalmente se os sintomas forem intensos e duradouros o bastante para alterar a qualidade do sono, o rendimento escolar ou no trabalho, a interação social e a prática de atividades físicas.

Além disso, a rinite alérgica nunca está sozinha. Em crianças ela facilita a ocorrência de otites recorrentes e crônicas, pode alterar a conformação da arcada dentária, da cavidade oral e até de toda a face (quando a criança só respira pela boca), e, em qualquer idade, está associada com conjuntivite alérgica, aumenta a ocorrência de resfriados (rinites virais), sinusites (virais ou bacterianas – aquelas que dão febre, catarro amarelo e requerem tratamento com antibióticos) e pode ser a porta de entrada facilitadora para o desenvolvimento de asma brônquica (muito chamada de bronqu ite alérgica).

Por tudo isso, a rinite alérgica, frequentemente menosprezada e não tratada adequadamente, causa uma série de outros problemas médicos e gera um custo financeiro para o seu tratamento muitas vezes enorme para cada paciente e sua família.

 COMO DIFERENCIAR A RINITE ALÉRGICA DA RINITE VIRAL?

 

RINITE ALÉRGICA

RESFRIADO / GRIPE

Sintomas

Coriza aquosa/transparente, espirros, coçeira e obstrução nasal, pode haver coçeira ocular e lacrimejamento

Semelhante a rinite alérgica, mas pode haver mal-estar, dores musculares e febre

Início/evolução

Imediatamente após a exposição aos agentes desencadeantes (poeira, animais, mofo) – crises

Se intensificam progressivamente em alguns dias após o contágio

Duração

Persistem enquanto houver exposição (como os agentes estão no domicílio, os sintomas tendem a ser contínuos ou muito freqüentes)

Alguns dias até uma semana

Relação com épocas do ano

Na maior parte do Brasil, persiste todo ano, com agravamento no outono / inverno

Mais comuns no outono e primavera (resfriados) e no inverno (gripe)

POR QUE ALGUÉM DESENVOLVE RINITE ALÉRGICA ?

Alergia significa hiperssensibilidade, ou seja, ser sensível demais às substâncias do meio ambiente que não fariam mal algum ao organismo. Essas substâncias, que chamamos de alérgenos (que provocam a resposta alérgica) estão na poeira doméstica, que é uma mistura de muitas coisas (ácaros, fungos, pelos e caspa de cães e gatos, restos de baratas, etc.).

O sistema imunitário da pessoa alérgica, que deveria se preocupar apenas com a defesa do organismo contra substâncias e agentes perigosos (p.ex. os vírus e bactérias), “perde tempo e energia” reagindo contra substâncias inócuas. Essa reação exagerada do organismo é que acaba sendo o problema, pois ela ocorre repetidamente nas vias aéreas, e leva a uma inflamação crônica alérgica (daí os termos rin ite , rinossinus ite , bronqu ite – que preferimos chamar de asma, e conjuntiv ite alérgicas).

A pessoa alérgica nasce com essa predisposição, que vem registrada nos seus genes (no DNA), herdados de seus pais. Por isso é muito comum que na família do alérgico, outras pessoas também tenham esse tipo de problema.

Se o indivíduo já está geneticamente preparado para reagir de forma exagerada, e convive em seu ambiente (em casa e/ou na escola/trabalho) com os agentes desencadeantes (alérgenos da poeira), acaba desenvolvendo esse processo inflamatório alérgico e crônico na vias aéreas superiores (no caso da rinite e rinossinusite) e/ou inferiores (no caso da asma brônquica). É “juntar a fome com a vontade de comer”.

Na maioria das vezes, esse processo acontece já nos primeiros anos de vida (por isso as alergias respiratórias são tão comuns nas crianças), mas, em muitos casos e dependendo das condições do ambiente, isso pode acontecer em qualquer idade. Não são raros os casos de pessoas que não tiveram problemas alérgicos respiratórios na infância, mas desenvolvem o problema na idade adulta por terem iniciado um trabalho em ambiente fechado e com muita poeira, ou por terem adquirido um animal de estimação.

COMO SABER SE O PROBLEMA É MESMO RINITE ALÉRGICA ?

Se você ou seu filho têm aqueles “resfriados que nunca acabam” ou “sinusites frequentes”, ou ainda se “vive de boca aberta e baba muito ou ronca quando dorme”, ou costuma “tossir sempre que vai deitar”, “vive com pigarro”, e “acorda frequentemente espirrando e com nariz entupido”, tudo isso pode ser devido a rinite alérgica.

Nesse caso, o melhor é consultar um especialista em alergia e imunologia de confiança, que pode ser recomendado pelo seu clínico ou pediatra. Além de coletar dados da história clínica e examinar atentamente em busca de sinais de alergia, o médico alergista poderá realizar testes na pele ou solicitar exames de sangue que confirmarão ou não a suspeita diagnóstica.

Isso é muito importante, pois não adianta só usar medicamentos para aliviar os sintomas de coriza, coçeira e espirros nas crises. Vários meses ou anos de rinite alérgica mal controlada poderão significar no futuro muitos tratamentos com antibióticos por otites e sinusites, problemas ortodônticos pelas alterações de arcada dentária e, até mesmo, o surgimento de asma brônquica, além de uma qualidade de vida ruim.

COMO É O TRATAMENTO DA RINITE ALÉRGICA ?

Em todos os casos será importante realizar medidas de controle ou higiene ambiental (medidas para controle ambiental) para reduzir o contato e a inalação das substâncias alergênicas da poeira doméstica. Em muitos casos também é necessário o uso de medicamentos para controle do processo inflamatório crônico das mucosas respiratórias, evitando a ocorrência de crises e o agravamento do problema.

Em casos selecionados, nos quais só o especialista em alergia e imunologia está treinado e capacitado a avaliar, poderá ser necessário o uso da imunoterapia (vacinas para doenças alérgicas), que é, até o momento, o único tratamento capaz de reduzir a hiperssensibilidade já existente (ou seja, a alergia propriamente dita), assim como para prevenir o surgimento de hiperssensibilidade a novos agentes desencadeantes.

Em outras palavras, o bom controle ambiental junto com a imunoterapia (vacinas), indicada e acompanhada pelo especialista, são a única forma eficaz de reduzir o que alimenta cronicamente o problema, que são os alérgenos da poeira e a hiperssensibilidade individual do indivíduo alérgico. Só assim é possível “tirar a lenha dessa fogueira”.

 

Eduardo Costa F. Silva

Especialista em Alergia e Imunopatologia pela ASBAI, Mestre em Imunologia Clínica pela UFRJ, Chefe do Setor de Alergia e Imunologia do H.U. Pedro Ernesto/UERJ

 

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