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Arquivo para dezembro, 2006

15 VERDADES SOBRE COMBATE AO ENVELHECIMENTO

ESPECIALISTAS ESCLARECEM O PAPEL DE 15 PRÁTICAS DIFERENTES
ASSOCIADAS AO REJUVENESCIMENTO, OU AO RETARDO DO ENVELHICIMENTO
(da Folha On Line, 13/12/2006)
COMENTÁRIOS ADICIONADOS EM AZUL POR EDUARDO COSTA
 
 
Medo, orgulho, estranheza, tranqüilidade, paz. Um leque de sentimentos diversos costuma acompanhar a chegada da velhice. Alguns deles se tornarão determinantes, fazendo com que essa etapa da vida seja encarada com naturalidade por uns e com receio por outros.

Numa época de prateleiras lotadas de cosméticos que prometem apagar os traços da idade, de pílulas que sugerem a retomada do vigor sexual da juventude, de cirurgias que esculpem corpos e rostos para que vençam o tempo, o que passou a significar, afinal, envelhecer?

De um lado, autores ancorados em inovações tecnológicas anunciam que, num tempo não muito distante, será possível recorrer a milhares de ferramentas para driblar o envelhecimento e sua indesejável "decrepitude". Do outro, geriatras enfatizam que não há fórmula nenhuma que permita não envelhecer e que, portanto, o melhor caminho a ser trilhado é manter a preocupação de simplesmente envelhecer bem.

No meio das duas correntes, fios de cabelos brancos despontam numa geração de homens e mulheres que se deparam com uma expectativa de vida cada vez maior. E, em busca de atalhos para alcançar a satisfação naquela que tradicionalmente ficou conhecida como "a idade da sabedoria", não são poucos os riscos de se deparar com promessas infundadas e com muito charlatanismo.

ISSO REJUVENESCE?

1. Vitamina C:
Não. Assim como todas a vitaminas, a C faz parte de um complexo que protege da ação dos radicais livres – causadores das doenças degenerativas. A suplementação vitamínica previne distúrbios, mas o excesso predispõe ao surgimento de cálculos renais. Já o uso tópico de vitamina C de fato combate o envelhecimento da pele. O uso de vitamina C por via oral em altas doses pode ter efeito imunoestimulador, mas deve ser feito por curto período e sob orientação médica.

2. Reposição Hormonal: Não. A reposição hormonal não é um método para "frear" o envelhecimento nem é recomendada a todos. Cerca de 80% das mulheres precisam de reposição hormonal, 20% não. Já entre os homens, apenas 30% devem recorrer ao método.

3. Ioga:
Sim. A prática incrementa a flexibilidade da coluna, que tende a ficar mais rígida com o passar dos anos. O aspecto de juventude está muito ligado à mobilidade, e quem tem a coluna mais flexível está mais apto continuar usando o corpo como quer -para dirigir ou para amarrar os próprios sapatos, por exemplo. As posturas inversas (feitas com a cabeça abaixo do coração) beneficiam a pele, e os exercícios de respiração melhoram o humor.

4. Leite de soja:
Não. A eficiência do consumo depende da forma como ele ocorre na dieta. Quem come soja a vida inteira se beneficia das propriedades dela. Já quem começa a beber um copo diário de leite de soja aos 50 anos só está se enganando.

5. Tomate: Não. O tomate contém licopeno, um agente antioxidante que contribui para a prevenção dos processos degenerativos que caracterizam o envelhecimento. Mas é preciso comer tomate todo dia por muitos anos para que isso faça diferença, e a eficiência dessa contribuição alimentar ainda não foi mensurada por nenhum estudo científico. Manter uma dieta balanceada já é uma atitude preventiva.

6. Qualidade de vida:
Sim. Quem evita trabalhar de segunda a segunda se protege do envelhecimento acelerado. A razão é simples: essas pessoas costumam assumir também posturas preventivas de saúde, encontrando tempo para praticar atividades físicas, combatendo o estresse, alimentando-se melhor e não se privando de horas de sono. Costumam também aderir à medicina de prevenção, cuidando-se antes de os problemas acontecerem

7. Cápsulas rejuvenescedoras da pele:
Não. Também conhecidas como "pílulas da beleza", as versões mais recentes dessas cápsulas prometem rejuvenescimento mais eficiente da pele ao ingeri-las. Mas o que os estudos apontam é que, para combater o envelhecimento da pele, a aplicação tópica de substâncias como o ácido retinóico e a vitamina C tem efeito superior do que a ingestão de remédios

8. Demae:
Não. O efeito do Demae (Dimetil-aminoetanol) é cosmético. Após aplicá-lo, as células sofrem uma contratura, que se torna perceptível em 20 minutos. Não atua como tratamento, e sim como um coadjuvante

9. Dormir muito:
Não. Ao contrário do que muitos pensam, quem dorme muitas horas por noite não mantém a aparência mais jovem por isso. De acordo com os especialistas, mais importante do que dormir muito é dormir bem. Quem acorda várias vezes durante a noite, tem pesadelos, apnéia (interrupção da respiração) e costuma levantar cansado, não está dormindo bem. Pessoas ansiosas tendem a ter esse tipo de sono. Pessoas obesas e que roncam muito também podem ter este problema e devem procurar um especialista.

ISSO ENVELHECE?

10. Preocupação:
Não. A máxima popular de que preocupação dá rugas e cabelos brancos não tem fundamento científico, afirmam os especialistas. Para eles, não há relação direta entre excesso de preocupação e aparecimento precoce desses sinais: o branqueamento dos pelos está mais ligado à predisposição genética, e as rugas têm relação com a exposição solar e as expressões faciais. O que se sabe é que o estresse, de maneira geral, leva ao envelhecimento indireto.

11. Predisposição genética:
Sim. A genética é um componente determinante na manifestação dos sinais do tempo, mas não é o único. Ela se soma a heranças ambientais, como o estilo de vida, a exposição solar e a dieta.

12. Sol:
Sim. O efeito envelhecedor da exposição solar inadequada é comprovado e reconhecido. Os raios solares promovem alterações tão sérias nas células da pele que, quando examinadas microscopicamente, chegam a apresentar aparência de 15 anos a mais que a idade real, e podem levar a estágios précancerosos. Vale lembrar, porém, que tomar sol é importante na prevenção de doenças como a osteoporose. O melhor então é preferir o sol antes das 10h e depois das 15h, quando a ação dos raios ultra-violeta é menor, e sempre usar protetores solares adequados ao seu tipo de pele.

13. Cigarro:
Sim. Além do risco cancerígeno, as diversas substâncias tóxicas presentes no cigarro têm forte efeito oxidante e aceleram o envelhecimento do organismo, degradando células e dificultando uma série de reações corriqueiras no corpo. Assim, embora se fale muito do aspecto envelhecido da pele dos fumantes, os especialistas alertam para o envelhecimento orgânico causado pelo cigarro, que é ainda mais perigoso. Do ponto de visto imunitário, o cigarro reduz a atividade dos macrófagos (células de defesa) e reduz a atividade dos cílios do tecido que reveste as vias aéreas, prejudicando os mecanismos de defesa naturais do aparelho respiratório.

14. Dietas calóricas:
Sim. Essa é uma das informações mais bem-definidas pela ciência em relação ao envelhecimento até agora: dietas baseadas na restrição calórica de fato fazem com que os seres vivos envelheçam mais devagar. Descobertas recentes comprovam que o envelhecimento é um processo inflamatório microscópico de células, e que o consumo elevado e contínuo de calorias leva o organismo a produzir mais substâncias infamatórias naturais. Não só a quantidade de calorias é importante, mas também a qualidade delas. P. ex., as  carnes vermelhas gordurosas são ricas em gorduras saturadas, e produtos industrializados como margarinas, batatas chips e outros possuem gorduras trans-saturadas que, em excesso, colaboram para o processo de ateroesclerose, causador de doenças cerebro-vasculares, cardíacas e renais. Por outro lado, peixes gordurosos (ex. salmão), azeite de oliva virgem, amendoim e nozes são ricos em acidos omega-3 e gorduras mono-insaturadas, que colaboram para um perfil de lipídeos sanguíneos (colesterol, etc.) mais saudável. MaAs lembre-se, gordura demais, seja boa ou má para o sistema cardiovascular, engorda de qualquer maneira. Assim, balancear a dieta com carbohidratos e proteínas é fundamental.

15. Sedentarismo:
Sim. A partir dos 40 anos, quem não faz atividade física perde gradativamente a força muscular e a flexibilidade. Conseqüentemente, corre mais risco de desenvolver doenças como osteoporose e artrose. Mesmo para quem foi sedentário durante toda a vida, nunca é tarde para começar (mas é importante fazer uma avaliação clínico-cardiológica antes de iniciar, para evitar surpresas desagradáveis). Os benefícios do exercício são perceptíveis: as articulações se tornam mais lubrificadas e ganha-se mais mobilidade nas tarefas cotidianas. Além disso, o exercício regular, de preferência aeróbico, melhora a função cardio-respiratória e aumenta a liberação de endorfinas, substâncias naturais produzidas pelo sistema nervoso central, que dão sensação de bem-estar. Viva melhor se exercitando.

Em resumo, como já sinalizado no início desta matéria, ENVELHECER BEM é o segredo, e isso inclui uma dieta saudável, aproveitar o sol de forma adequada, exercitar-se e ter uma atitude positiva e pro-ativa no seu dia-a-dia, o que inclue respeito a si próprio, aos outros e ao meio ambiente.

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IMUNOTERAPIA, DESSENSIBILIZAÇÃO, VACINAS PARA ALERGIAS E PARA PREVENIR INFECÇÕES – AFINAL, QUAL A DIFERENÇA ?

 
Todos esses nomes (vacinas, imunoterapia, dessensibilização), confundem não só o público em geral, mas também os profissionais da área de saúde, e até mesmo colegas médicos não especialistas em Alergia e Imunologia Clínica.
 
O termo imunoterapia pode ser aplicado a qualquer forma de tratamento em que se usa um princípio ativo que age diretamente por mecanismos imunológicos (p. ex. um anticorpo ou uma substância estranha ao organismo – um antígeno), no qual o objetivo é a modificação da resposta imunológica com fim de tratamento para determinada(s) doença(s) já instalada(s).
 
O principal exemplo é a imunoterapia com alérgenos, usada nas alergias (rinite/conjuntivite alérgica, asma brônquica alérgica e reações a picada de insetos), ou vacinas para doenças alérgicas, que teve seu início de uso nos primeiros anos do século XX, para tratamento da rinite alérgica a pólens (inicialmente chamada de febre do feno, por ter sido descrita em primeiro lugar em fazendeiros na Inglaterra).
 
Ao longo dos últimos 100 anos e, principalmente, nos últimos 20 anos, vários mecanismos de ação vêm sendo conhecidos e melhor compreendidos, fundamentando os efeitos e a eficácia clínica da imunoterapia com alérgenos nessas enfermidades supra-citadas, reduzindo a hipersensibilidade (alergia propriamente dita), a frequência e a gravidade dos sintomas (de crise e fora da crise), a quantidade de medicamentos necessários ao controle destas doenças e, especificamente, a mortalidade nas reações graves a picadas de insetos.
 
Estes avanços foram tão grandes e esclarecedores, que a Organização Mundial de Saúde (OMS) publicou, em 1998, um documento para a comunidade médico-científica mundial, estabelecendo os parâmetros para utilização desta modalidade terapêutica, suas indicações, mecanismos, eficácia e efeitos adversos. É importante ressaltar que a imunoterapia com alérgenos, como definido pela própria OMS e endossado por todas as sociedades de especialistas em Alergia e Imunologia do mundo, deve ser indicada e acompanhada por profissionais com formação específica em imunologia clínica e treinamento em aerobiologia, ou seja, o médico especialista em Alergia e Imunologia Clínica, ou simplesmente, o alergista ou alergologista.
 
Além da imunoterapia com alérgenos (vacinas para doenças alérgicas), existem várias estratégias de imunoterapia que são utilizadas  em outras doenças, que não as alérgicas. P. ex. existem tratamentos a base de anticorpos produzidos em laboratório para o tratamento de tumores malignos, a chamada imunoterapia do câncer. Esta modalidade, apesar de fazer parte do conhecimento teórico da Imunologia Clínica, geralmente é indicada e acompanhada pelo médico oncologista clínico (especialista em câncer), ou por outros especialistas onde ela pode ser aplicável em casos selecionados (p.ex. em urologia – no câncer de bexiga e rim, em hematologia – em leucemias e linfomas, etc.). Esta também é uma área onde há um intenso e contínuo acréscimo de novos conhecimentos científicos, com potencial aplicabilidade clínica.
 
Outra confusão comum e natural, devido ao uso do termo "vacinas", diz respeito as vacinas comumente aplicadas a todas as crianças como parte do calendário vacinal, e, atualmente, também em adultos e idosos, cujo objetivo é a prevenção de doenças infecciosas (p.ex. sarampo, rubéola, tétano, coqueluche, hepatites virais, etc.). Neste caso, a vacina também é composta de uma substância estranha ao organismo, derivada do próprio agente infeccioso, e seu objetivo é desencadear no sistema imunológico do indivíduo, a produção de anticorpos protetores contra a infecção causada por aquele agente. Desta forma, as vacinas utilizadas rotineiramente desta forma, não são terapêuticas, como as vacinas usadas nas doenças alérgicas e no câncer, mas sim preventivas, ou seja, para evitar as infecções. Essas vacinas preventivas de infecções representam um dos maiores avanços que a ciência médica ofereceu à humanidade em toda a sua história.
 
Outro termo que merece esclarecimento é a palavra dessensibilização. Por muito tempo ela foi usada como um sinônimo para as vacinas usadas nas alergias, visto que um de seus efeitos é diminuir a hiperssensibilidade (=alergia) do indivíduo, ou seja levar a uma hipo ou dessensibilização. Entretanto, atualmente já se sabe que a imunoterapia com alérgenos (vacinas para alergias) tem muitos outros mecanismos de ação e efeitos, e o termo dessensibilização está restrito a procedimentos onde se induz a tolerância de indivíduos a determinados medicamentos aos quais eles apresentaram reações (alérgicas ou pseudo-alérgicas).
 
Alguns exemplos são a dessensibilização com antibióticos (penicilinas, sulfas) e com ácido acetil salicílico (AAS/Aspirina). Estes procedimentos são pouco utilizados atualmente, visto que, na maioria dos casos, existe outro medicamento diferente para ser usado em substituição ao causador do problema, e ainda, devido ao maior risco de ocorrência de reações durante o próprio procedimento.
 

MEDIDAS DE HIGIENE OU CONTROLE DO AMBIENTE NAS ALERGIAS RESPIRATÓRIAS

  

Quem tem rinite ou rinoconjuntivite alérgica, e/ou asma brônquica ("bronquite") alérgica, deve tomar cuidados diários na sua casa e, se possível, no trabalho, para reduzir o contato com as substâncias causadoras da sensibilização e desencadeadoras de sintomas (crises).

Essas medidas são tão importantes quanto os medicamentos e a imunoterapia (vacinas para alergia).

 
 – Evite livros, papéis, bichos de pelúcia ou outros objetos que acumulem  poeira no quarto de dormir;
Todos esses objetos acumulam poeira e mofo e soltam estas partículas no ar ambiente quando manipulados. Bichos de pelúcia nunca devem ficar na cama.
 Retire tapetes e carpetes e troque as cortinas de pano por persianas de material plástico, PVC ou similar, para facilitar a  limpeza;
É impossível manter um tapete ou carpete livre de ácaros e mofo, assim como é inviável retirar cortinas semanalmente para lavagem. Melhor não tê-los.
 – O piso de toda a casa deve ser liso, e utilize pano úmido diariamente na limpeza. Evite vassoura e espanador, pois “levantam a poeira”;
O pano úmido remove a poeira sem dispersar as partículas mais finas (e mais alergênicas) no ar ambiente.
 
– Use colchão e travesseiro de espuma, forrados com capas impermeáveis fechadas (napa, curvim, PVC ou similar), que também deverão ser limpas regularmente com pano úmido;
Os ácaros se instalam na espuma dos colchões e travesseiros por serem locais quentes, úmidos e com alimentos a vontade (fungos e descamação da pele humana), e vão para a roupa de cama onde deixam suas fezes ricas em alérgenos. As capas impedem que eles saiam da espuma e que mais ácaros colonizem o local. As capas podem ser feitas ou compradas em lojas especializadas em produtos para alérgicos.
 
– Troque a roupa de cama uma a duas vezes por semana e lave os casacos antes dos meses frios (se possível com água quente);
Também é importante para remover os ácaros que estão nestas roupas. A água aquecida (> 55 graus C) mata os ácaros.
 
Não tenha animais com pêlos e evite contato com eles. Se você já tem, intensifique sua higiene (banho semanal) e não permita que ele frequente o quarto de dormir e os móveis estofados; 
Parte dos alérgicos são sensíveis ao pêlo e caspa de animais domésticos. Mesmo os que não o são, geralmente são sensíveis aos ácaros, que podem ser carregados nos pêlos dos animais. Além disso, os animais (cães e gatos), também deixam as substâncias alergênicasno piso, móveis e nos estofados onde passaram a língua, ao lambê-los. A saliva resseca, e as substâncias alergÊnicas tornam-se facilmente dispersíveis no ambiente.
 Não fume e procure evitar que fumem perto de você;
A fumaça de cigarro, assim como cheiros de perfumes, cloro e outros poluentes, não é alergênica, mas sim irritante para a mucosa respiratória já hiperresponsiva devido a inflamação alérgica.
 
– Pratique atividades aeróbicas ao ar livre, de acordo com sua idade e capacidade física.
Além dos benefícios psico-sociais e físicos (cardiorespiratórios) do exercício aeróbico, quanto menos tempo em ambientes fechados, menor o contato com os alérgenos inaláveis.
 
Para viver melhor, mesmo sendo alérgico, sua participação é fundamental e tem que ser ativa no tratamento !

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