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Arquivo para agosto, 2007

REAÇÕES ADVERSAS E ALERGIA A MEDICAMENTOS COMUNS

 

REAÇÕES ADVERSAS E ALERGIA AO ÁCIDO ACETIL-SALICÍLICO (AAS),

ANTI-INFLAMATÓRIOS (AINEs), DIPIRONA E ANTIBIÓTICOS

Co-autoria: Dra. Raquel G. Rocha 

(Médica bolsista do Setor de Alergia e Imunologia do HU Pedro Ernesto/UERJ) 

 

Esse é um tema importante, comum no dia-a-dia, porém difícil, pois nem toda reação a um medicamento é uma alergia verdadeira, mesmo quando as manifestações (sinais e sintomas) são idênticas as reações alérgicas, e não há testes alérgicos específicos na maioria dos casos.

 

§    Reações alérgicas (verdadeiras) não dependem da dose e são específicas para uma determinada substância. Dependem de um mecanismo imunológico, ou seja, dependem da produção de anticorpos ou da proliferação de células específicas para reagir contra a substância em questão. Estas podem, eventualmente, ser confirmadas ou afastadas através de testes alérgicos na pele.

§       Reações pseudo-alérgicas dependem da dosagem usada e podem ocorrer para substancias diferentes, que tenham a mesma ação terapêutica. Seus sinais e sintomas são praticamente os mesmos das reações alérgicas, mas não há um mecanismo imunológico envolvido (anticorpos ou células do sistema imune). Muitas vezes dependem de sensibilidade individual decorrente de diferentes formas de metabolização (transformação e degradação) do medicamento no organismo. Para essas reações, que são as mais comuns, não há testes na pele úteis para o diagnóstico.

 

§       As principais manifestações possíveis das reações alérgicas e pseudo-alérgicas são: prurido (coçeira), urticária (placas vermelhas, elevadas e pruriginosas), angioedema (inchação aguda de causa alérgica ou pseudo-alérgica), reações gastro-intestinais (dor na barriga, diarréia), rinoconjuntivite  (espirros, coçeira no nariz e olhos, olho vermelho, lacrimejamento), asma (broncoespasmo/falta de ar/tosse/chiado), e até reações sistêmicas graves como anafilaxia (quando ocorrem várias destas manifestações juntas), podendo chegar até ao choque e/ou edema de glote)

 

1-   AAS/ Anti-inflamatórios não esteroidais (AINES)

§       AAS – ação analgésica e anti-pirética – exemplos: Aspirina, Melhoral, Sonrisal, aparece também associado em medicamentos anti-gripais, etc. 

AINES – ação analgésica, anti-inflamatória e anti-pirética – exemplos: Diclofenaco/ Voltaren, Naproxeno/Naprosyn, Piroxicam/Feldene, outros

§       Quem já teve reação ao AAS, a princípio, não deve usar outro anti-inflamatório, pois os mecanismos destas reações (pseudo-alérgicas) são os mesmos para drogas diferentes.

 

2-   DIPIRONA

§       Uma das drogas mais consumidas para dor e febre – exemplos: Novalgina, Baralgin, também aparece associada a outras substancias em medicamentos para resfriados e relaxantes musculares.

§       Tem mecanismo de ação parcialmente similar ao AAS/AINEs, e por isso também pode causar reação em pessoas com histórico de reação prévia ao AAS/AINEs.

 

3-   PARACETAMOL

§       É outro medicamento comumente usado para dor e febre. Tem ação em parte semelhante aos anteriores, e por isso também pode causar reação nas doses maiores, porém com frequência muito inferior em relação ao AAS/AINEs e a Dipirona. Exemplos: Tylenol, Tylephen, Dôrico, e outros. Nos casos de reações ao AAS, AINEs e dipirona, o paracetamol poderá ser usado SOB ORIENTAÇÃO MÉDICA.

  

4-   ANTI-INFLAMATÓRIOS "SELETIVOS " (são os mais recentes ou modernos)

§       Exemplos: Arcoxia, Celebra

§       São uma alternativa aos AINES em casos de reações prévias – têm menor risco de causarem reações, mas também podem causá-las, e por isso só devem ser usados como última opção e não devem ser usados sem rígida orientação médica.

 

5-   ANTIBIÓTICOS

São medicamentos usados para combater infecções (geralmente bacterianas – sinusite, infecção urinária, otite, amigdalite, pneumonia, etc.). Não têm efeito analgésico ou anti-febril => não têm o mesmo mecanismo de ação que eles, e por isso não têm relação com as reações adversas causadas pelos anti-inflamatórios citados anteriormente.

 

– Beta lactâmicos (penicilinas)

Exemplos – Ampicilina, Amoxicilina, Amoxil, Benzetacil, Clavulin, Sigma-clav, etc.

§       Podem causar reações mesmo em doses mínimas (principalmente perenteral – via venosa ou intra-muscular), pois essas reações geralmente são alérgicas verdadeiras. A aplicação na pele também pode causar alergia por contato, chamada dermatite de contato.

§       Reações podem ser imediatas (na primeira hora), aceleradas (1-72 horas)  ou  tardias (começam após 3 dias)

§      A melhor conduta quando há um histórico prévio de reação, é  substituir as penicilinas por antobióticos de outras classes, com estrutura química diferente.

§       Quando não é possível a substituição, o que é raro, pode-se fazer a dessensibilização (procedimento no qual se administra doses crescentes do medicamento em curto espaço de tempo) para reduzir o risco de reações graves (só pode ser feito com consentimento escrito do paciente e no hospital, devido ao risco de reações – nunca tente fazer algo do gênero por conta própria).

 

Cefalosporinas – exemplos: Keflex, Keflin, Cefaclor/Ceclor, Cefuroxime/Zinnat, etc.

§       Podem dar “reação cruzada” com as penicilinas (por terem estrutura química semelhante, podem induzir uma reação alérgica verdadeira).

§       Por isso não são uma boa opção para substituir as penicilinas

 

Sulfas

§       Exemplo: Bactrim, Sulfadiazina

§      Quem tem histórico de reações, deve evitar substâncias quimicamente relacionadas (também podem dar a reação cruzada, mesmo não sendo antibióticos): alguns diuréticos (medicamentos que aumentam a produção de urina) e outras drogas usadas em hipertensão arterial e doenças cardíacas), alguns hipoglicemiantes orais (usados em Diabetes) e alguns anestésicos.

 

IMPORTANTE

– A maioria das reações adversas aos medicamentos não são alérgicas ou pseudo-alérgicas (p.ex. náusea, tontura, dor de cabeça, diarréia, outras). São apenas reações adversas ou efeitos colaterais, que podem ser avaliados pelo médico que prescreveu a medicação em questão.

– Nem todas as reações que parecem alergia são alérgicas de verdade (exemplo é o grupo chamado pseudo-alérgico), e por isso não existe testes para muitos dos casos.

– Os testes alérgicos só são úteis para alguns casos como na alergia às penicilinas e anestésicos locais, mas nem sempre eles são necessários.

– Quem já teve uma reação (alérgica ou pseudo-alérgica) deve procurar o médico especialista em alergia (alergista), para ser orientado em relação aos medicamentos a serem evitados, e deve ter um cartão ou folha impressa com estas orientações junto aos seus documentos, para casos de atendimento em acidentes ou outras situações em que possa estar inconsciente ou impossibilitado de dar estas informações.

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