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Arquivo para maio, 2008

ALERGIA A PICADA DE INSETOS

 
A alergia é a reação exagerada do sistema imunológico contra substâncias que, teoricamente, não constituem uma ameaça ao organismo. Esta definição se adequa bem a alergia respiratória, onde os alergenos (as substancias que desencadeiam a reação) são constituintes inócuos da poeira ou de pólens de plantas. Na alergia a picada de insetos, da mesma forma, ocorrem reações exageradas a substancias presentes na saliva ou no veneno de insetos, mas da mesma forma a reação do sistema imunológico, por ser exagerada e não controlada, não protege o organismo dos efeitos das substâncias em questão, e acaba causando problema maior que a própria substância inoculada pelo inseto, podendo levar a consequências até graves, como a anafilaxia (a forma mais grave de reação alérgica generalizada, ou sistêmica).
 
A alergia relacionada a picada de insetos pode se manifestar na forma de reação localizada ou até generalizada ao veneno de insetos picadores como a abelha, vespa, marimbondo, e também após picada de formigas, ou como a alergia a picada de insetos sugadores, principalmente os mosquitos, conhecida como prurigo estrófulo ou, simplesmente, estrófulo.
 
O estrofulo é a forma mais comum de alergia a picada de insetos nas grandes cidades, seguida das reações a picadas de formigas e das reações as picadas de abelhas, marimbondos e vespas (estas mais frequentes em cidades menores e no interior). As crianças são particularmente vulneráveis, por estarem mais tempo expostas ao contato com estes insetos nos parques, play-groundse em outras áreas de lazer, até mesmo na creche ou na escola. Outro grupo de importância são os trabalhadores rurais, e principalmente os apicultores, pelo contato direto e diário com abelhas.
 
O estrofulo geralmente se inicia durante o primeiro ano de vida, com lesões após picada de mosquito que evoluem com pequenos caroços, podendo haver bolhas pequenas que se rompem, e tendem a formar uma ferida (figura 1). A lesão é rodeada por um halo de vermelhidão, e é muito pruriginosa (coça muito). Frequentemente, por causa da coceira, a ferida pode aumentar e até infectar, evoluindo com secreção amarelada e posteriormente com uma cicatriz duradoura. Este é um problema particularmente preocupante nas pessoas de pele mais escura em geral, e nas meninas, que poderão ficar com cicatrizes para o resto da vida (figura 2). Eventualmente, também surgem lesões chamadas “satélite”, ou seja, ao redor de uma única picada do mosquito, podem surgir outras lesões sem necessidade de várias picadas. As áreas mais acometidas são as áreas naturalmente mais expostas aos mosquitos: a face, os braços e pernas.
 
Uma parcela das crianças pequenas evoluem naturalmente para a redução das reações e a cura em meses, como se fossem naturalmente dessensibilizadas pelas repetidas picadas de mosquito. Muitas outras crianças permanecem tendo estas reações, e aí o problema passa a ser grande, pelos já descritos riscos de infecção secundária das lesões, e pela produção de cicatrizes em braços e pernas, com prejuízo estético e da qualidade de vida. Nestes casos, a imunoterapia (vacinas específicas para reduzir a intensidade das reações alérgicas) é altamente eficaz, induzindo aquela dessensibilização que não ocorreu naturalmente nos primeiros meses após o início do quadro.
 
Já as reações a picadas de formiga, abelhas e marimbondos/vespas (figura 5) evoluem de forma variada, podendo ser apenas uma reação local, com inchação, dor, vermelhidão e coceira, evoluindo sem deixar feridas e cicatrizes, até reações com placas vermelhas com coceira (a urticária – figura 3) a distância e até generalizada (em todo corpo). O extremo de gravidade e de intendsidade dessa reação generalizada é a chamada anafilaxia, onde ocorre, além do surgimento de urticária em várias áreas da pele, alterações de outros órgãos/sistemas, como queda da pressão arterial pelo acometimento cardiovascular, falta de ar, seja pelo acometimento dos brônquios (como numa crise de asma), seja pela inchação da laringe com obstrução da entrada do ar (o chamado “edema de glote”), e até dor na barriga e diarréia, por alterações do trato digestivo. Estas reações, mesmo as localizadas, podem evoluir para reações generalizadas, e as reações subsequentes, após novas picadas, tendem a ser mais graves que as anteriores. Por isso, em geral, as pessoas que têm alergia a insetos deste tipo necessitam fazer o uso da imunoterapia, que é a única forma de reduzir a intensidade da reação do sistema imunológico quando entra em contato com as substâncias presentes no veneno destes insetos. A imunoterapia literalmente salva vidas nos casos de reações graves a picada destes insetos. As pessoas que já tiveram reações generalizadas/graves, e continuam expostas ao risco de novas reações, devem ter um cartão de identificação com estas informações, e carregar consigo medicação (adrenalina) para auto-aplicação em casos de emergência (figura 4).
 
Para qualquer um dos tipos de alergia a insetos (mosquito-estrófulo ou abelhas/marimbondos/formigas-urticaria/anafilaxia), sempre são necessários cuidados de proteção, como evitar os locais onde sabidamente existem estes insetos, usar roupas compridas e sem cores fortes (que atraem abelhas), evitar perfumes fortes e adoçicados (pelo mesmo motivo), e uso de telas de proteção nas janelas, cortinados em berços e camas, e repelentes para uso em ambientes e/ou na pele, de acordo com a faixa etária.
 
Se você tem reações duradouras a picada de mosquitos, ou já teve reações locais ou generalizadas a picadas de abelha/marimbondo/formiga, consulte um especialista em alergia e imunologia para avaliar adequadamente seu caso, receber orientações de proteção e sobre a necessidade de tratamento.
 
           Estrófulo – lesão aguda                                  Estrófulo – cicatrizes
 
                                                                  Urticária                Adrenalina auto-injetável
 
 
 
 
 

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