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Arquivo para julho, 2010

ALERGIA ALIMENTAR

Alergia alimentar é um dos assuntos mais complexos e pouco compreendidos em alergia clínica.
Alguns tópicos importantes merecem ser comentados:
– qualquer um, em qualquer idade, pode apresentar reações a alimentos;
– as reações aos alimentos podem ser verdadeiramente alérgicas ou não;
– dentre as não alérgicas, que são as mais comuns, existem as reações tóxicas, devido a presença de substancias ou contaminantes no alimento (p.ex. diarreia após alimentação com alimentos com toxinas bacterianas devido a má conservação) e existem reações de intolerância individual, quando a pessoa tem alguma dificuldade de digestão do alimento (p.ex. a intolerancia a lactose – o açucar do leite, que causa diarreia quando a pessoa não possue enzimas adequadas para a digestão desse açucar no intestino – o acumulo dele dentro do intestino acaba "puxando" agua dos vasos sanguineos para dentro do intestino, levando a diarreia);
– dentre as reações alérgicas verdadeiras, elas podem acontecer desde a infância, como é o mais comum com a alergia as proteínas do leite de vaca e da clara do ovo, que geralmente iniciam nos 1os anos de vida e podem ou não perdurar até a adolescência e idade adulta, ou podem surgir em qualquer idade, como as reações a crustáceos (camarão, carangueijo, lagosta, siri) que geralmente começam na adolescencia ou idade adulta;
– as reações alérgicas alimentares podem se manifestar de diversas formas, como diarréia com presença de sangue em bebes alérgicos ao leite de vaca, ou como dor abdominal, vômitos e diarréia em bebes e crianças maiores, também alérgicas a proteínas alimentares do leite, do ovo ou de outros alimentos, também como dor ao deglutir, pirose (azia) e sensação de parada do alimento no peito (impactação alimentar) em crianças e adultos com inflamação alérgica do esofago (esofagite alérgica), e também através de alterações fora do trato gastro-intestinal, como urticária (placas vermelhas que coçam muito), angioedema (inchação abrupta nas pálpebras, lábios e outro locais) e até mesmo sintomas oculares (vermelhidão e coceira recorrentes nos olhos), sintomas respiratórios como crises iguais a asma (chiado, tosse e falta de ar) ou obstrução aguda da laringe (o vulgo edema de glote) e até mesmo alterações sistêmicas como queda da pressão arterial e choque (a anafilaxia);
intolerancia a lactose, como já foi dito, não é uma alergia alimentar, e sim uma dificuldade enzimática do intestino de quebrar o açucar do leite para absorvê-lo. Pode ocorrer nos bebes pequenos, por imaturidade do intestino, e também pode ocorrer transitoriamente após infecções intestinais, que causam lesão do revestimento interno do intestino. Nesse caso a intolerância passa quando o revestimento do intestino volta ao normal;
– na alergia alimentar verdadeira, o sistema imunologico monta uma resposta exagerada e anormal contra proteínas dos alimentos, e sempre que o alimento é ingerido, a resposta imune acontece levando aos sintomas. Por isso é muito importante a exclusão total do alimento e de seus derivados da dieta do alérgico;
– quando o bebê que ainda mama no peito tem alergia ao leite de vaca, frequentemente é necessário que a mãe nutriz também exclua totalmente o leite e seus derivados da sua dieta, pois ela pode estar alimentando o bebê com proteínas do leite de vaca que ela bebe e que chegam ao seu leite materno;
– em nosso meio, os alimentos envolvidos com maior frequência na alergia verdadeira são o leite de vaca e a clara de ovo nas crianças pequenas, e, além desses, o amendoim/nozes/castanhas e crustáceos nas crianças maiores e adultos.  Em menor frequência a soja, peixes, outros grãos (p.ex. gergelim) e vegetais e frutas, como banana, abacate, kiwi, dentre outros, podem causar alergia também;
– a gliadina, uma proteína do glúten presente no trigo, pode causar um tipo de reação imunológica diferente em algumas pessoas, que leva a diarréia crônica, perda de peso ou dificuldade de ganhar peso nas crianças, além de lesões na pele. Essa é a chamada doença celíaca, que também é um tipo de alergia alimentar. Do mesmo jeito, essas pessoas não podem ingerir nada que contenha o glúten do trigo.
não existem vacinas para alergia alimentar. A exclusão do alimento da dieta é a única forma de prevenir a ocorrência dos sintomas;
a dieta de exclusão é para sempre ? Depende de cada caso. A maioria das crianças alérgicas ao leite de vaca conseguirá tolerar sua ingestão após alguns anos, mas não há como prever isso, e por isso todos devem fazer uma dieta adequada, sob supervisão médica e muitas vezes nutricional após o diagnóstico. Dependendo dos exames de sangue e/ou testes cutâneo-alérgicos e da gravidade das reações anteriores, o especialista em alergia poderá, ou não, tentar reintroduzir cuidadosamente o alimento sob supervisão estreita, após um período de alguns anos. Muitas vezes o sistema imunológico perde a "memória" daquela alergia e deixa de reagir ao alimento. Mas isso só é possível se a dieta for bem feita, para que o sistema imune não fique de vez em quando "sendo lembrado" do alimento que é ingerido.
– procure um médico alergista e tire suas dúvidas. Sempre há muitas opções de substituição do alimento envolvido sem comprometer a nutrição e a qualidade de vida do paciente alérgico.
NUNCA TENTE REINTRODUZIR UM ALIMENTO NA DIETA POR CONTA PRÓPRIA, AS CONSEQUÊNCIAS PODEM SER TERRÍVEIS !

Bom apetite.

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