Informações gerais sobre alergias. Este site não tem o objetivo de prestar consultas pela internet. Para tirar dúvidas, procure também www.asbairj.org.br e www.blogdaalergia.com

Alergia alimentar é um dos assuntos mais complexos e pouco compreendidos em alergia clínica.
Alguns tópicos importantes merecem ser comentados:
– qualquer um, em qualquer idade, pode apresentar reações a alimentos;
– as reações aos alimentos podem ser verdadeiramente alérgicas ou não;
– dentre as não alérgicas, que são as mais comuns, existem as reações tóxicas, devido a presença de substancias ou contaminantes no alimento (p.ex. diarreia após alimentação com alimentos com toxinas bacterianas devido a má conservação) e existem reações de intolerância individual, quando a pessoa tem alguma dificuldade de digestão do alimento (p.ex. a intolerancia a lactose – o açucar do leite, que causa diarreia quando a pessoa não possue enzimas adequadas para a digestão desse açucar no intestino – o acumulo dele dentro do intestino acaba "puxando" agua dos vasos sanguineos para dentro do intestino, levando a diarreia);
– dentre as reações alérgicas verdadeiras, elas podem acontecer desde a infância, como é o mais comum com a alergia as proteínas do leite de vaca e da clara do ovo, que geralmente iniciam nos 1os anos de vida e podem ou não perdurar até a adolescência e idade adulta, ou podem surgir em qualquer idade, como as reações a crustáceos (camarão, carangueijo, lagosta, siri) que geralmente começam na adolescencia ou idade adulta;
– as reações alérgicas alimentares podem se manifestar de diversas formas, como diarréia com presença de sangue em bebes alérgicos ao leite de vaca, ou como dor abdominal, vômitos e diarréia em bebes e crianças maiores, também alérgicas a proteínas alimentares do leite, do ovo ou de outros alimentos, também como dor ao deglutir, pirose (azia) e sensação de parada do alimento no peito (impactação alimentar) em crianças e adultos com inflamação alérgica do esofago (esofagite alérgica), e também através de alterações fora do trato gastro-intestinal, como urticária (placas vermelhas que coçam muito), angioedema (inchação abrupta nas pálpebras, lábios e outro locais) e até mesmo sintomas oculares (vermelhidão e coceira recorrentes nos olhos), sintomas respiratórios como crises iguais a asma (chiado, tosse e falta de ar) ou obstrução aguda da laringe (o vulgo edema de glote) e até mesmo alterações sistêmicas como queda da pressão arterial e choque (a anafilaxia);
intolerancia a lactose, como já foi dito, não é uma alergia alimentar, e sim uma dificuldade enzimática do intestino de quebrar o açucar do leite para absorvê-lo. Pode ocorrer nos bebes pequenos, por imaturidade do intestino, e também pode ocorrer transitoriamente após infecções intestinais, que causam lesão do revestimento interno do intestino. Nesse caso a intolerância passa quando o revestimento do intestino volta ao normal;
– na alergia alimentar verdadeira, o sistema imunologico monta uma resposta exagerada e anormal contra proteínas dos alimentos, e sempre que o alimento é ingerido, a resposta imune acontece levando aos sintomas. Por isso é muito importante a exclusão total do alimento e de seus derivados da dieta do alérgico;
– quando o bebê que ainda mama no peito tem alergia ao leite de vaca, frequentemente é necessário que a mãe nutriz também exclua totalmente o leite e seus derivados da sua dieta, pois ela pode estar alimentando o bebê com proteínas do leite de vaca que ela bebe e que chegam ao seu leite materno;
– em nosso meio, os alimentos envolvidos com maior frequência na alergia verdadeira são o leite de vaca e a clara de ovo nas crianças pequenas, e, além desses, o amendoim/nozes/castanhas e crustáceos nas crianças maiores e adultos.  Em menor frequência a soja, peixes, outros grãos (p.ex. gergelim) e vegetais e frutas, como banana, abacate, kiwi, dentre outros, podem causar alergia também;
– a gliadina, uma proteína do glúten presente no trigo, pode causar um tipo de reação imunológica diferente em algumas pessoas, que leva a diarréia crônica, perda de peso ou dificuldade de ganhar peso nas crianças, além de lesões na pele. Essa é a chamada doença celíaca, que também é um tipo de alergia alimentar. Do mesmo jeito, essas pessoas não podem ingerir nada que contenha o glúten do trigo.
não existem vacinas para alergia alimentar. A exclusão do alimento da dieta é a única forma de prevenir a ocorrência dos sintomas;
a dieta de exclusão é para sempre ? Depende de cada caso. A maioria das crianças alérgicas ao leite de vaca conseguirá tolerar sua ingestão após alguns anos, mas não há como prever isso, e por isso todos devem fazer uma dieta adequada, sob supervisão médica e muitas vezes nutricional após o diagnóstico. Dependendo dos exames de sangue e/ou testes cutâneo-alérgicos e da gravidade das reações anteriores, o especialista em alergia poderá, ou não, tentar reintroduzir cuidadosamente o alimento sob supervisão estreita, após um período de alguns anos. Muitas vezes o sistema imunológico perde a "memória" daquela alergia e deixa de reagir ao alimento. Mas isso só é possível se a dieta for bem feita, para que o sistema imune não fique de vez em quando "sendo lembrado" do alimento que é ingerido.
– procure um médico alergista e tire suas dúvidas. Sempre há muitas opções de substituição do alimento envolvido sem comprometer a nutrição e a qualidade de vida do paciente alérgico.
NUNCA TENTE REINTRODUZIR UM ALIMENTO NA DIETA POR CONTA PRÓPRIA, AS CONSEQUÊNCIAS PODEM SER TERRÍVEIS !

Bom apetite.

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Comentários em: "ALERGIA ALIMENTAR" (4)

  1. Olá. Me consultei com um alergista e ele fez um teste com 64 substancias na minha pele, das quais mostrei alergica a 39 destas, sendo alimentos, inalantes e de contato. Ele recomendou que evitasse estes alérgenos e que fisesse uso de vacinas para as alergias, incluindo a alimentar. Li em sua postagem sobre alergia alimentar que não ha vacinas eficazes. Gostaria de saber se isto esta correto e, se não, como não desenvolvi nenhum sintoma alérgico grave, apenas talvez início de psoríase nas unhas e num cotovelo e vermelhidão no peito, vale a pena o investimento nelas?

  2. Testes alérgicos positivos significam presença de sensibilização alérgica, ou seja, potencial para reagir a uma substancia. Não necessariamente a sensibilização causa ou causará sintomas ou doença. Só devemos tratar o que já é manifestação clínica ou doença. Se ela não existe, o correto é prevenir, evitando o agente.

  3. eduardo costa disse:

    ola Dotor tenho um filho de 4 anos e des dos 8messe de vida ele tem tido problemas de alergia de alimentaçao ou de bronquite alergica e a que mais me preocupa porque ele sofre quando da aqueles ataques de tosse seca tosse tanto que chega de vomitar geralmente ataca quando o clima esta com muita umidade ou por cheiros de alguma coisa ou poeira tenho alguma se realmente se trata de bronquite ou nao ha senpre com febre porque quando ten crises logo ata a garrganta.se pudesse me tirar essa duvida agradeco.

    • A tosse persistente pode ser uma manifestação da asma (bronquite alérgica). Ele precisa ser avalaido quanto a necessidade de medicação para controle desse quadro. Procure um alergista ou pneumologista.

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