Informações gerais sobre alergias. Este site não tem o objetivo de prestar consultas pela internet. Para tirar dúvidas, procure também www.asbairj.org.br e www.blogdaalergia.com

ATUALIZANDO O POST SOBRE IMUNOTERAPIA E VACINAS, DE 2006:

O termo imunoterapia pode ser aplicado a qualquer forma de tratamento em que se usa um princípio ativo que age diretamente por mecanismos imunológicos (p. ex. um anticorpo ou uma substância estranha ao organismo – um antígeno), no qual o objetivo é a modificação da resposta imunológica com fim de tratamento para determinada(s) doença(s) já instalada(s).

O principal exemplo é a imunoterapia com alérgenos, usada nas alergias (rinite/conjuntivite alérgica, asma brônquica alérgica e reações a picada de insetos), ou vacinas para doenças alérgicas, que teve seu início de uso nos primeiros anos do século XX, para tratamento da rinite alérgica a pólens (inicialmente chamada de febre do feno, por ter sido descrita em primeiro lugar em fazendeiros na Inglaterra).

Ao longo dos últimos 100 anos e, principalmente, nos últimos 20 anos, vários mecanismos de ação vêm sendo conhecidos e melhor compreendidos, fundamentando os efeitos e a eficácia clínica da imunoterapia com alérgenos nessas enfermidades supra-citadas, reduzindo a hipersensibilidade (alergia propriamente dita), a frequência e a gravidade dos sintomas (de crise e fora da crise), a quantidade de medicamentos necessários ao controle destas doenças e, especificamente, a mortalidade nas reações graves a picadas de insetos.

Estes avanços foram tão grandes e esclarecedores, que a Organização Mundial de Saúde (OMS) publicou, em 1998, um documento para a comunidade médico-científica mundial, estabelecendo os parâmetros para utilização desta modalidade terapêutica, suas indicações, mecanismos, eficácia e efeitos adversos. É importante ressaltar que a imunoterapia com alérgenos, como definido pela própria OMS e endossado por todas as sociedades de especialistas em Alergia e Imunologia do mundo, deve ser indicada e acompanhada por profissionais com formação específica em imunologia clínica, ou seja, o médico especialista em Alergia e Imunologia Clínica, ou simplesmente, o alergista ou alergologista.

Além da imunoterapia com alérgenos (vacinas para doenças alérgicas), existem várias estratégias de imunoterapia que são utilizadas em outras doenças, que não as alérgicas. P. ex. existem tratamentos a base de anticorpos produzidos em laboratório para o tratamento de tumores malignos, a chamada imunoterapia do câncer. Esta modalidade, apesar de fazer parte do conhecimento teórico da Imunologia Clínica, geralmente é indicada e acompanhada pelo médico oncologista clínico (especialista em câncer), ou por outros especialistas onde ela pode ser aplicável em casos selecionados (p.ex. em urologia – no câncer de bexiga e rim, em hematologia – em leucemias e linfomas, etc.). Esta também é uma área onde há um intenso e contínuo acréscimo de novos conhecimentos científicos, com potencial aplicabilidade clínica.

Outra confusão comum e natural, devido ao uso do termo “vacinas”, diz respeito as vacinas comumente aplicadas a todas as crianças como parte do calendário vacinal, e, atualmente, também em adultos e idosos, cujo objetivo é a prevenção de doenças infecciosas (p.ex. sarampo, rubéola, tétano, coqueluche, hepatites virais, etc.). Neste caso, a vacina também é composta de uma substância estranha ao organismo, derivada do próprio agente infeccioso, e seu objetivo é desencadear no sistema imunológico do indivíduo, a produção de anticorpos protetores contra a infecção causada por aquele agente. Desta forma, as vacinas utilizadas rotineiramente desta forma, não são terapêuticas, como as vacinas usadas nas doenças alérgicas e no câncer, mas sim preventivas, ou seja, para evitar as infecções. Essas vacinas preventivas de infecções representam um dos maiores avanços que a ciência médica ofereceu à humanidade em toda a sua história.

Outro termo que merece esclarecimento é a palavra dessensibilização. Por muito tempo ela foi usada como um sinônimo para as vacinas usadas nas alergias, visto que um de seus efeitos é diminuir a hiperssensibilidade (=alergia) do indivíduo, ou seja levar a uma hipo ou dessensibilização. Entretanto, atualmente já se sabe que a imunoterapia com alérgenos (vacinas para alergias) tem muitos outros mecanismos de ação e efeitos, e o termo dessensibilização está restrito a procedimentos onde se induz a tolerância a determinadas substancias as quais eles apresentaram reações (alérgicas ou pseudo-alérgicas). Alguns exemplos são a dessensibilização com antibióticos (penicilinas, sulfas) e com ácido acetil salicílico (AAS/Aspirina).

Atualmente a imunoterapia, as vacinas com alergenos, citada no início do texto, tiveram suas indicações expandidas. Além da rinite alérgica, asma alérgica e alergia a picada de insetos (mosq1uitos, abelhas, marimbondos e formigas), ela também já é utilizada em casos selecionados de dermatite atópica e, mas irecentemente ainda, ela está sendo aplicada em casos graves de alergia a alimentos com risco de anafilaxia.

Anúncios

Nuvem de tags

%d blogueiros gostam disto: